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Ivo Marques

O futebol às vezes é muito injusto, não só nos resultados das partidas, quando nem sempre ganha o melhor em campo, mas também com pessoas competentes. Este foi o caso do técnico Marcelo Vilar, que além de muito competente, fez uma história muito bonita de conquistas no Botafogo. A sua saída do Belo, na sua segunda passagem pelo clube, não chegou a ser uma surpresa para mim, porque futebol infelizmente é resultado e aqui no Brasil, é raro o treinador de um time de massa, segurar mais de 3 jogos sem vencer. Vilar conseguiu chegar a 6, mas aí não resistiu, já estava desgastado com o torcedor e por tabela com a diretoria, ou parte dela.
Seis partidas sem nenhuma vitória, com poucos gols marcados e duas derrotas, uma delas para o rival Treze, aí foi a gota d’água que faltava para pôr um fim no trabalho do treinador. Ser o lanterna, nestas circunstâncias, foi mais do que o suficiente para ser demitido na maioria dos clubes brasileiros, e aqui no Botafogo não seria diferente.
Quando digo que foi uma demissão injusta, não olho para os números e também não culpo o clube que precisa de bons resultados e tem pela frente duas competições mais importantes se aproximando, o Paraibano e a Série C. Teoricamente, em ambas não pode haver falhas nos objetivos. Eu falo é da qualidade do técnico e das próprias apresentações do Botafogo. O time, na verdade, fez algumas exibições em que merecia ganhar, mas a bola não quis entrar, faltou sorte e competência aos atacantes. Para completar, o clube perdeu um atacante e um meia, que eram titulares, ambos com contusões sérias, que precisaram de cirurgia. O material humano que sobrou é de baixa qualidade técnica, exceto alguns poucos jogadores.
Mas no Brasil é assim, põe tudo na conta do treinador, e depois de tantos insucessos, até o clima de trabalho fica difícil para um técnico. As pressões vêm de todos os lados e o final é sempre como foi no Botafogo. A solução é trocar de técnico. Resta agora um até breve e sucesso para Marcelo Vilar, e boas vindas para o novo comandante, o gaúcho Gerson Gusmão.
Assim como Vilar, Gusmão é muito competente, e também tem dois títulos brasileiros no currículo. O treinador vem de um trabalho maravilhoso no Operário de Ponta Grossa-PR, quando conseguiu dois acessos para o clube. Chegou na Série D e deixou o Operário na Série B. Tomara que consiga o mesmo aqui no Botafogo.
Gerson assumiu o time consciente da crise que o clube atravessa e do fraco material humano que vai trabalhar, mas acredita no potencial de alguns jogadores, que ele conhece bem, e que segundo ele, poderão render bem mais do que estão rendendo. Claro que ele conta com a chegada de alguns reforços, sobretudo para a Série C, mesmo com a grana curta. Ele deixou claro isto na primeira entrevista coletiva que deu na chegada ao clube.
A Copa Nordeste já era para o Botafogo. O momento agora é aproveitar os dois últimos jogos para preparar a equipe para o Campeonato Paraibano e para a Série C. A primeira competição passa a ser a mais importante, porque é ela que classifica o time para a Copa do Brasil e para a Copa do Nordeste. Já a segunda é a realização de um sonho antigo, de chegar a segunda divisão do futebol brasileiro, mudando totalmente de patamar. Em todas, vale pela parte técnica, pelo Ranking Nacional de Clubes, mas principalmente pelo lado financeiro.
Com a crise que toma conta do clube, as premiações da Copa do Nordeste e da Copa do Brasil são imprescindíveis para a recuperação econômica. E se conseguir chegar a Série B, aí só as cotas de TV são muito boas, capazes de mudar a realidade do Botafogo, de uma vez por todas, caso tenha uma boa gestão.

Treze

Se para o Botafogo a Copa Nordeste é coisa do passado, para o Treze ainda é bem presente. A derrota para o Vitória complicou muito a vida do Galo, que já não depende mais apenas dele para se classificar à próxima fase da competição. Porém, se vencer o Sport no próximo sábado e contar com tropeços de alguns adversários diretos à vaga, sobretudo o Sampaio Corrêa, o Galo pode passar para a fase seguinte e colocar no bolso mais R$ 300 mil, que em tempo de pandemia, cai muito bem.

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