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Professor Trindade

            Frequentemente, nas minhas aulas, os alunos perguntam:

            – Professor, quando é que se usa vírgula depois do “mas”?

            Na verdade, não existe vírgula “depois” do “mas”; nem “depois” de “e”, nem de “que” ou de qualquer outro conectivo. A vírgula jamais se refere a qualquer conectivo; mas sim, à estrutura da frase.

            É sempre bom lembrar, também, que vírgula e ponto-e-vírgula não são sinais ligados apenas à gramática, mas à harmonia da frase e, sobretudo, à semântica e estilo.

            Observemos, então, as situações em que poderá haver coincidência de a vírgula aparecer depois do “mas”, “e” e “que”:

            Guarde bem esta lição, leitor: Na separação de orações, a vírgula vem antes do conectivo; e não, depois:

            Eu iria visitá-la, mas não fui.

            Observe que a vírgula do exemplo dado separa a primeira oração da segunda; a vírgula ficará, portanto, separando as duas orações, ficando antes do conectivo (mas).

            Aí a pergunta ecoa, mais uma vez:

            – Mas professor, eu já vi vírgula depois do “mas”.

            Mais uma vez, repito: não há vírgula depois de “mas”.

            Leiamos a seguinte estrutura:

            Eu iria visitá-la, mas, como estivesse chovendo muito, não fui.

            É essa a situação, querido leitor? Só que tal vírgula não tem qualquer relação com o “mas”: a primeira vírgula (antes do “mas”) serviu para separar a primeira oração da segunda, e a vírgula que, incidentalmente, ficou “depois” do “mas” foi colocada para separar a oração adverbial deslocada “como estivesse chovendo muito” (usa-se vírgula, obrigatoriamente, nas orações adverbiais deslocadas).

            Observe, agora, outra situação:

            Ela disse que me amava, mas, apesar disso, traiu-me.

            (As vírgulas, aí, estão separando o adjunto adverbial “apesar disso”, que está deslocado. Usa-se, obrigatoriamente, vírgula nos adjuntos adverbiais deslocados).

            Outra situação interessante:

            Ela disse que me amava, mas a verdade é que me traiu.

            (Note que não deve haver vírgula depois do “mas”, porque não há elemento intercalado; não havendo, portanto, pausa). Aliás, é bom lembrar que a vírgula indica pausa, mas nem toda pausa admite vírgula.

            ORAÇÕES LIGADAS POR “E”

Nas orações coordenadas ligadas por “e”, devemos observar o seguinte:

Se os sujeitos forem diferentes, haverá vírgula; caso contrário (as orações têm o mesmo sujeito), não haverá.

            Vamos aos exemplos:

            O marido beijou a mulher e saiu.

            (Não haverá vírgula, porque o sujeito das duas orações é o mesmo).

            O marido deixou a mulher no shopping, e ela foi fazer compras.

            (Haverá vírgula, porque os sujeitos são diferentes).

            E A VÍRGULA DEPOIS DO “E” E DO “QUE”?

            É raro haver vírgula depois de “e” e do “que” (mas como o pessoal coloca!).

            Só haverá vírgula depois do “e”, e do “que” se houver intercalação de algum termo.

            Exemplos:

            O réu apontou a arma para a vítima e atirou, impiedosamente.

            (Não há vírgula após o “e”).

            O réu apontou a arma para a vítima e, quando saía do local, atirou.

            (Há vírgula após o “e”, devido à intercalação).

            O réu admitiu que chegou a apontar a arma para a vítima.

            (Não há vírgula após o “que”).

            O réu admitiu que, chegando ao local, apontou a arma para a vítima.

            (Há vírgula após o “que”, devido à intercalação).

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