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Condena??o pr?via

Milhares de brasileiros sonham em contribuir, de alguma forma, com a política brasileira.

Eu também.

Mas as lembranças do mandato de senador não me permitem alimentar ilusões: será difícil – muito mais do que imaginam os discípulos “polianicos” de Eleanor H. Porter – mudar o cenário e o perfil dos atores que movimentam o teatro político do País.

Diria até que, do jeito que está posta, a política nacional é engatilhada para afugentar os homens de bem.

Homens como um amigo potiguar que me procurou há alguns meses para externar o desejo de se candidatar a uma vaga no Senado Federal, na condição de primeiro suplente de um postulante com reais condições de se eleger.

Ele chegou animado, saiu nem tanto.

Grande empresário da construção civil no Rio Grande do Norte, ele vinha alimentando esse desejo há algum tempo e queria – até porque sabia da minha experiência – sondar minha opinião.

Como se trata de um bom amigo coloquei todas as cartas na mesa. E fiz as ressalvas.

Como tudo o mais na vida, a política tem pelo menos dois lados.

No melhor deles, você encontra a possibilidade de contribuir com boas ideias ao mesmo tempo em que massageia o ego e convive com grupo heterogêneo – muito mais difuso e plural do que o encontra no mundo do empreendedorismo.

Ponto.

Aí começam os problemas.

No outro lado – aquele em que reside a porção negra da força – o Congresso é uma casa da morosidade, das (in) conveniências e outras tantas mazelas que não se pode expressar sem herdar o ônus da prova.

O que posso dizer é que minha experiência não recomenda a repetição. Para arrematar, a conquista de uma cadeira legislativa o coloca como pessoa exposta politicamente.

E quando falo em exposição, não estou sendo meramente retórico.

Em uma circular, expedida pelo Banco Central do Brasil em 24 de julho de 2009, “agentes públicos que desempenham ou tenham desempenhado, nos últimos cinco anos, no Brasil ou em países estrangeiros, cargos, empregos ou funções públicas relevantes, assim como seus representantes, familiares e outras pessoas de seu relacionamento próximo” são tratados como PEP (Pessoas Expostas Politicamente).

Há um clima de suspeição prévia – inserindo neste caldeirão até ministros das mais altas cortes judiciárias do País.

Os PEP têm suas informações cadastrais destacadas e não podem pleitear crédito junto a instituições oficiais. Suas operações financeiras também são devassadas para identificar a origem dos fundos de suas transações.

Um caso ilustrativo ocorreu recentemente com o senador Tasso Jereissati, eleito pelo Ceará. No dia da sua diplomação, tomou um susto: uma dívida de cerca R$ 70 milhões, contraída junto ao BNDES para pagamento ao longo de dez anos, passou a vencer naquele dia.

Como agente público, ele estava a partir daquele momento impedido de acessar crédito de bancos públicos, disponível para qualquer empreendedor nacional. Resultado: teve que tomar empréstimo junto aos bancos privados, com juros muito mais altos, para quitar a dívida que só venceria em 2025.

E é por isso que, ao ver partidos conclamando empresários para abraçar a política, sinto o aperto. A política tem garras de tamanduá.

E regras que impedem uma mudança real da classe política.

Sobram os aventureiros. Pois, para quem não tem nada a perder, o que vier é lucro.

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