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Conflito entre Venezuela e EUA não deve evoluir para uma guerra mundial, destaca especialista

Ideia de prender o presidente Nicolás Maduro em território venezuelano não é bem vista do ponto de vista internacional
Estados Unidos (Imagem: Divulgação)

O conflito entre Venezuela e Estados Unidos dificilmente deve escalar para uma nova guerra mundial. Em entrevista ao programa Correio Debate da Rádio 98 FM, o doutor em relações Internacionais, André Pini, explica que a ideia de prender o presidente Nicolás Maduro em território venezuelano não é acolhido do ponto de vista do direito internacional, mas que isso não abre a possibilidade de uma escalada do conflito em nível global.

Você acusar um cidadão de outro estado não existe. Independente de ser presidente ou não, ir naquele lugar, capturá-lo, trazê-lo para o seu país e julgá-lo de acordo com sua matriz jurídica

Pini explica ainda que a Venezuela é uma rota do tráfico internacional de drogas, mas que está longe de ser a única ou a mais relevante. Para ele, a posição dos Estados Unidos revela uma crise interna no combate às drogas. A ação teria o objetivo de demonstrar à população que algo está sendo feito para o combate.

A crise doméstica de drogas nos Estados Unidos é um problema grande. A questão da Venezuela concentra vários temas da agenda tanto doméstica quanto internacional dos Estados Unidos. Por isso fez tanto sentido para eles executar essa ação

Guerra mundial

De acordo com André, não existe chance de uma nova guerra mundial. Ele ressalta o exemplo do conflito entre Rússia e Ucrânia, que mesmo com a solidariedade internacional, nenhum país enviou tropas diretamente para o confronto, principalmente devido ao risco envolvendo armas nucleares.

Por mais que o mundo tenha se solidarizado com a Ucrânia, ninguém mandou tropas. Você manda um auxílio, uma cooperação com armamentos, mas comprar a briga normalmente dita ninguém compra, isso porque temos estados nuclearizados: Rússia, China e Estados Unidos. Qualquer conflito direto entre eles, um país aperta o botão e outro faz igual

Segundo Pini, conflitos diretos entre grandes potências são sempre evitados ao máximo. Ele também destaca que a posição do Brasil demonstra sua capacidade de atuação diplomática, além da habilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em se articular politicamente no cenário internacional.

O histórico recente para o Brasil é positivo no sentido de que a gente teve aquele período de ameaças mais flagrantes, sanções contra o Lula e o próprio Itamaraty. A gente conseguiu equilibrar essas pressões, finalizou.

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