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Coração partido

O empreendedor é alimentado espiritualmente, emocionalmente, pela concretização de projetos e sonhos.

E não estou me referindo apenas aos planos particulares. O prazer de empreender não é egoísta.

Assistir o progresso emociona. Testemunhar a pujança alegra – mesmo quando este processo é tocado por outros agentes do empreendedorismo.

É com este estado de ânimo que contemplo a pujança imobiliária de um Altiplano. O surgimento de um distrito industrial. O salpicar de empreendimentos ao longo de uma rodovia. Ou a ampliação da empresa de um amigo.

E foi este espírito que me contaminou quando fui procurado, há mais de 15 anos, por um amigo empresário do Nordeste.

Radicado em Pernambuco, proprietário da maior rede de hipermercados da região, ele se deparava com obstáculos para implantar uma unidade na Paraíba.

Sim, senhores: por pouco, quase nada, a Paraíba esteve a um passo de perder um grande investimento.

O fato é que, por mais que tentasse, o grupo não conseguia as licenças.

Saí em seu socorro, ajudando-o a destravar a burocracia emperrada. Surgiu, então, o Hiperbompreço.

Não busquei gratidão. Apenas me acostei aos seus sonhos que, materializados, constituíram marco comercial da Capital. Uma vitória emblemática.

A alegria de assistir o nascer do Hiper é diretamente proporcional a tristeza que me assola, hoje, ao testemunhar sua agonia. E seu iminente sepultamento.

Estou de coração partido. Cortado pela desesperança.

Mas como o pulso ainda pulsa, torço – com todas as forças – para que este organismo tão estratégico do comércio paraibano ganhe sobrevida.

Até porque não consigo imaginar a BR 230 sem a movimentação que o Hiper proporciona. Suas portas fechadas constituiriam o cenário de terra arrasada que a crise teima em nos impor.

E efetivamente impõe. Pois o risco de fechamento do maior hipermercado do estado – hoje de propriedade da maior multinacional do ramo, a Walmart – é termômetro do desastre econômico que estamos vivendo no Brasil de 2016.

O poço, aparentemente, não tem fundo.

Quando a gente pensa que o atingiu, descobre que ele fica um pouco mais pra baixo – tragando nossos sonhos e esperanças.

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