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Cord?is e xilogravuras mostram cotidiano nordestino no Sal?o de Artesanato

Os amantes da arte, colecionadores e turistas que visitarem a 21ª edição do Salão de Artesanato da Paraíba podem adquirir peças exclusivas de xilogravuras e uma série de cordéis – folheto escrito de forma rimada – confeccionadas pelos habilidosos e criativos artesãos do estado.

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A xilogravura é uma técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre o papel ou tecido. A artista Ana Lima, natural de João Pessoa, participa do Salão pela primeira vez. Ela recebeu toda a instrução artística da qual tem conhecimento através do Centro Estadual de Arte (Cearte). “Nunca imaginei estar aqui, ter meus trabalhos visto pelos amigos e ganhar clientes de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e até para fora do país. Sem dúvida, o Salão tem sido uma vitrine que me abriu muitas portas”, comentou a artesã. 

Ana produz bolsas, camisas e quadros em xilogravura com imagens de animais típicos do Sertão, utensílios domésticos que caíram em desuso, brincadeiras infantis, atividades da agricultura e até mesmo a personagem “Rosinha” famosa nas letras da música de Luiz Gonzaga. 

Cordel

Conhecidos no Brasil como folhetos, tradicionalmente expostos para venda, pendurados em cordas, os famosos cordéis também têm sido outro atrativo do Salão. Descrevendo personagens fictícios e reais, o cordelista Vicente Campos, natural de Patos, arranca o riso de muitos leitores. “O bom é saber que as escolas têm incentivado a leitura dos cordéis e isso é bom para manter nossa cultura viva entre a criançada. Levo para a linha do humor, o que tem despertado ainda mais o interesse deles”, disse. 

O cordelista tem títulos conhecidos que caíram no gosto popular como “O Amor Cangaceiro de Lampião e Maria Bonita”, “A História da Paraíba”, “Dicionário Paraibês”, “Pérolas da Política no Interior”, “Gonzagão, o Rei do Baião”, “Seu Lunga” e “Chulé do Jornalista Fez o Bush Passar Mal”. 

José Pedro Lima, conhecido popularmente por “Índio”, em Barra de Gramame, resolveu virar cordelista aos 60 anos. Tudo começou com pequenas anotações sobre o cotidiano do lugar onde morava até que foi descoberto por uma equipe de reportagem que, ao ler suas anotações, resolveu incentivá-lo a publicar. “Tinha medo porque não sabia ler, nem escrever direito, mas a cabeça sempre foi boa. Agora basta eu ler um jornal do dia, assistir algo diferente que tudo faço rima para contar o que muita gente não diz”, revelou Índio. 

A servidora Irene Cristina, natural de Campina Grande, disse que visitar o estande do Índio é parada obrigatória em todas as edições. “Gosto de valorizar o que é nosso, da terra e ele tem o dom de passar para as linhas, histórias da vida real, do mundo político e dos factóides do interior de maneira direta e sem arrodeios. Ele diz o que muita gente não tem coragem”, parabenizou Irene.

Entre os cordelistas e xilógrafos que também expõem trabalhos no Salão de Artesanato estão José Costa Leite, Edilberto Cipriano, Mariano Ferreira, Irmão Assis, Clébio Martins e Francisco Sales. 

O Salão funciona de segunda a sábado, no horário das 15h às 22h, e aos domingos das 15h às 21h. A visitação é gratuita.

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