Imaginem uma ponte de aparência extremamente frágil, sobre um precipício. Atravessa-la, dependerá da confiança na capacidade técnica e na integridade do avaliador. Sem confiança, procura-se caminhos mais seguros.
Pela pesquisa CNT/MDA,a presidente Dilma Rousseff já não tem essa credibilidade: 92,8% estão preocupados com a situação econômica do país, mas 82,9% acham que a petista não sabe lidar com a crise.
Porque a Presidente, reeleita há apenas cinco meses, perdeu a confiança? Antes das revelações da pesquisa, vamos ao perfil dos entrevistados: 41,6% disseram que votaram em Dilma; 37,8% em Aécio; 10,8% em Branco ou Nulo; 8,7% não votaram e 1,1% não respondeu. Não dá para dizer que esse é o pensamento da “elite branca”.
Sobre o governo de Dilma: 64,8% avaliam como ruim ou péssimo, e apenas 10,8% como bom e ótimo. E quanto a Dilma? É desaprovada por 77,7% e aprovada por 18,9%. O que pesou para essa resultado? 84% responderam que ela não cumpre as promessas de campanha.
A pior avaliação diz respeito a Petrobrás: 68,9% consideram Dilma culpada pelos desvios, contra 23,7% que dizem o contrário. Para 67,9%, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também é responsável pelo que aconteceu na maior estatal do país. O estudo ainda identificou apoio de 59,7% apoiam o impeachment da presidente.
Essacrise de credibilidade certamente pode impactar negativamente a crise econômica, pois aceitar o ajuste fiscal da forma e na dose propostas exige confiança, assim como a travessia de ponte de aspecto instável. Até o Congresso resiste.
Não é impossível para Dilma reverter esse quadro. Contudo, não conseguirá apenas com as mágicas de um marqueteiro. O nível de informações no país e o medo do desemprego, dos juros altos, da inflação e tudo o mais que arrasta, transforma todos os brasileiros em São Tomé, o apóstolo que precisou ver para crer. Vai precisar colocar o país à frente de tudo e de todos para chegar lá.
O Brasil mudou. O eleitorado mudou. Essa pesquisa mostra o quanto. Dilma é o alvo prioritário, mas todos os que têm mandatos estão na berlinda. Quem preferir os interesses pessoais aos nacionais, vai ser cobrado.