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De Beatriz a Beatriz

Você sabia que, há quase 500 anos, o Brasil teve sua primeira governante?

Eu não sabia.

Foi em 1554 (há 462 anos, portanto) que Dona Beatriz (Brites) de Albuquerque assumiu, como chefe maior, uma capitania brasileira.

Como não poderia deixar de ser, coube a Pernambuco a primazia de fazer história.

E o tempo lhe faz justiça: os relatos dos historiadores sinalizam que a primeira mulher a chegar ao poder no País manteve a ordem e a paz, construiu e urbanizou núcleos sociais; trouxe prosperidade.

Descobri tudo isso ao receber, no último 8 de março, uma homenagem que rondou as redes sociais em referência ao Dia Internacional da Mulher.

Como o assunto me encanta (um encanto que certamente está incrustado no meu DNA, herança bendita do Doutor René), me debrucei sobre os livros e com a ajuda dos historiadores Frederico Pernambucano e Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque – duas referências mundiais em suas áreas.

E os escritos me apresentaram não somente à antiguidade do poderio feminino brasileiro, mas também à árvore genealógica da minha família.

Dona Beatriz de Albuquerque (Brites, segundo a doutora Maria Cristina, era uma simples corruptela de seu nome de batismo pois “o português da época pronunciava depressa certos nomes, engolindo letras”) deu origem, por consanguinidade, ao tronco inicial dos Cavalcanti.

Não há, portanto, nenhuma coincidência nas presenças de tantas Beatrizes em minha vida.

Beatriz foi mãe; Beatriz é filha; Beatriz é neta.

A Beatriz (Brites) ancestral chegou ao País ainda muito jovem, na condição de esposa do donatário Duarte Coelho Pereira – na sua ausência e após sua morte, assumiu como governadora os destinos de Pernambuco (1554-1560; 1572-1573).

Ao seu lado sempre esteve o irmão Jerônimo de Albuquerque, o “Adão” nordestino.

Aqui, Jerônimo casou com a filha do cacique Tabajara – viabilizando a pacificação entre colonizadores e a nação Tabajara – e tiveram oito filhos.

Entre eles estava Catharina, que viria a casar com o fidalgo italiano Felippe Cavalcanti, e gerar – a partir daí – a nossa família.

Ela é nossa ancestral maior, a nossa “Eva”. E Felippe o “Adão” Cavalcanti.

Quase cinco séculos depois, o sangue ainda fala com altivez.

Assim como a Beatriz que personifica a presença feminina no poder, sua descendência também produz fenômenos inéditos.

Esse é o legado da Beatriz de hoje, ao assumir com pioneirismo a direção de um sistema de comunicação. Não há, em qualquer tempo, registro de uma mulher no comando de um conglomerado de comunicação na Paraíba.

Beatriz, a partir do Sistema Correio, vaticina seu nome. E seu gênero.

De Beatriz a Beatriz, as mulheres fazem história.

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