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De férias em João Pessoa, gaúcha enfrenta desafios ao saber de enchentes no RS; ‘vamos recomeçar’

Ao Portal Correio, Fabiane compartilhou a angústia de estar longe de casa enquanto sua cidade era devastada pelas enchentes
Vista aérea de Porto Alegre (RS) (Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini)

As enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul (RS) deixaram um rastro de destruição sem precedentes. No dia 27 de abril de 2024, o estado foi surpreendido por um temporal que desencadeou uma série de eventos trágicos. Com uma intensificação no dia 29, a tempestade provocou alagamentos em vales e áreas urbanas próximas a rios, afetando severamente a infraestrutura local e a vida dos moradores.

As autoridades confirmaram que, até o momento, 163 pessoas perderam a vida, sendo quatro óbitos por leptospirose, e outras 85 estão desaparecidas, além de centenas de feridos e desabrigados. O cenário é de uma tragédia sem igual, com casas destruídas, estradas bloqueadas e pontes arrastadas pelas águas. Os números são alarmantes: 581.633 desalojados, 2.339.508 afetados e 806 feridos.

E como iniciativa para reparar os danos, o governo federal liberou mais R$ 1,8 bilhão para ações de reconstrução no Rio Grande do Sul. A autorização do crédito extraordinário foi feita por meio da edição da Medida Provisória 1.223/2024, publicada na última quinta-feira (23).

Celebridades de todo o país, como Whinderson Nunes e Felipe Neto, além de influenciadores, mobilizaram suas redes sociais para arrecadar fundos e doações. Populações e governos de outros estados também se uniram em solidariedade para ajudar os afetados.

Em meio a este cenário, Fabiane Arnold (@naturalicesdafabi), uma gaúcha de Porto Alegre, estava passando férias em João Pessoa, Paraíba, com sua família quando a tragédia começou. Em seu relato ao Portal Correio, ela compartilhou a angústia de estar longe de casa enquanto sua cidade era devastada pelas enchentes.

“Nós estávamos de férias aqui em João Pessoa quando tudo começou e nós já deveríamos ter retornado. Porém, nossa cidade está completamente embaixo da água e por isso, não conseguimos retornar. O prédio comercial na área térrea onde fica o nosso consultório, que trabalho como acupunturista e naturóloga, ficou alagado.

Felizmente, minha clínica, situada no 21º andar, não foi afetada. Ele era de frente para o Guaíba, uma das regiões mais afetadas do alagamento, e atualmente está sem água e sem luz,” disse Fabiane.

Vídeo gravado pelo síndico do Prédio Comercial

Fabiane detalhou como os acontecimentos se desenrolaram enquanto ela e sua família estavam fora. Eles chegaram à Paraíba no início do mês, esperando desfrutar de um tempo de descanso. No entanto, logo começaram a receber notícias preocupantes de Porto Alegre.

“A gente chegou aqui numa segunda-feira, no início do mês, e as chuvas começaram de quarta pra quinta. Estávamos na cidade de Cabedelo com amigos quando começamos a acompanhar as notícias sobre as enchentes. Nosso consultório, que fica num prédio comercial na Rua dos Andradas, perto do Guaíba, foi uma das primeiras áreas atingidas. A comporta estourou e as ruas viraram um rio, inundando nosso prédio,” relatou.

Lago Guaíba
Lago Guaíba (Foto: Gilvan Rocha/Agência Brasil)

A impossibilidade de acessar o prédio e a continuidade das chuvas trouxeram um grande impacto na vida profissional de Fabiane e seu marido, ambos autônomos. A situação em Porto Alegre estava cada vez mais caótica, e a perspectiva de retorno se tornava incerta.

“Perdemos 100% do nosso rendimento. Eu sou acupunturista e meu marido personal trainer. Ambos trabalhávamos em Porto Alegre. A nossa casa em Viamão não foi atingida, mas sem poder trabalhar, estamos passando por muitas dificuldades. Nossa clínica estava consolidada há anos no centro histórico e, que hoje, está completamente deserta.”

Fabiane e sua família encontraram um grande apoio na cidade de João Pessoa. Amigos próximos os acolheram no bairro Manaíra, e a solidariedade se manifestou de diversas formas.

“A gente está sendo muito ajudado e acolhido aqui no Nordeste. Amigos nos acolheram em Manaíra, e uma escola ofereceu uma bolsa integral para nosso filho de seis anos, o que foi um alívio. Estamos buscando recomeçar aqui, do zero. É um desafio enorme, mas estamos recebendo muito apoio e já começando a encontrar oportunidades de trabalho,” afirmou Fabiane.

A importância do apoio recebido lhes deu forças para seguir em frente apesar das adversidades. Fabiane reconhece a dificuldade de recomeçar, mas se sente grata pela ajuda e acolhimento. A sua história reflete a resiliência de muitos gaúchos que, apesar das perdas e dificuldades, buscam forças para recomeçar.

“Estamos muito emocionados com tanto acolhimento. Isso está dando muita força para a gente realmente recomeçar e fazer um trabalho bem bonito aqui. Com toda a qualidade de atendimento que oferecíamos em Porto Alegre, não vamos abandonar nosso estado. Quando as coisas retornarem lá, pretendo voltar e atender, nem que seja uma vez por mês. Mas agora, decidimos fixar residência aqui e começar do zero,” concluiu Fabiane.

Acompanhe o relato divulgado por Fabiane Arnold em suas redes sociais:

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