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De Renato Russo a novos ETs

Como adoro Renato Russo cantar o final de “Faroeste caboclo”. Renato era poeta mesmo, e dos bons, mesmo com a acadêmica corrente da crítica literária a dizer que ele era “um oco, um vazio, um horror”… Sim, mas o final de “Faroeste caboclo”?

“E o povo declarava que João de Santo Cristo era santo porque sabia morrer. E a alta burguesia da cidade não acreditou na estória que eles viram na TV. E João não conseguiu o que queria quando veio pra Brasília, com o diabo ter. Ele queria era falar pro presidente pra ajudar toda essa gente que só faz sofrer”…

Ingênuo? Peguem o disco “Que país é este”. Para melhores conclusões, escutem todas as faixas.

Quando ouço, no YouTube, um som vindo de Santa Cruz de la Sierra, penso no lado bom das coisas. É ruim admitir que exista um lado mau e penso no bem também quando vejo e escuto, também na Internet, referências à Austrália e ao Havaí. Folheei até uma dessas revistas especializadas em surfe e fiquei redeslumbrado. E o pedido musical de Caetano? “O Havaí seja aqui”…

Sobre a Austrália? Quando li “A hora final”, de Nevil Shute, fiquei sabendo que em qualquer hipótese de guerra nuclear imensas faixas australianas não seriam atingidas pela radioatividade. Lá não haveria exatamente um “day after”. O inverno nuclear seria no resto do planeta. Santa Cruz de la Sierra, apesar da origem católica do nome, não tem esse privilégio de proteção natural. Explicação científica para a Austrália? Dizem que é por um fenômeno de refração. (Em tempo: “A hora final” foi levado para o cinema com roteiro do próprio Nevil Shute e direção de Stanley Kramer. O título original é “On the beach”).

A Austrália lembra desertos, “boomerangs”, cangurus e mistérios. O Havaí, as camisas mais coloridas da Terra, hula-hula, surfe, ondas fascinantes e outros mistérios. Santa Cruz de la Sierra? O confronto de origens espanholas e portuguesas, misturadas às culturas indígenas primitivas, algo céu azul, morenidade latina, mais mistérios.

Se reformar a Terra fosse uma questão de interferência de um poderoso mistério cósmico de vida própria, que alguém decidira batizar como Deus, novos extraterrestres não repetiriam o que os pioneiros ETs legaram para o mito da Atlântida e poderiam experimentar uma cultura, uma cidade, uma raça, um continente que misturasse a sonoridade e os mistérios australianos, havaianos e de Santa Cruz de la Sierra.

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