Esta semana deve se materializar o afastamento definitivo da senhora Dilma Rousseff – representante de um partido no qual não apenas votei, mas também fiz parte de sua base aliada no Senado Federal, crendo fielmente que fazia o melhor para o País.
Hoje sabemos que eu – assim como milhões de brasileiros – fomos redondamente enganados.
Descortinado, este agrupamento político revelou sua verdadeira face.
E seus verdadeiros personagens.
Perfis burilados por marketings fantasiosos, que vendiam ideologias de nivelamento social enquanto pilhavam a nação para o enriquecimento de seus grupos de interesse político.
Expostos, colheram o que plantaram.
Semearam engano, apanharam solidão.
Ao longo de quase nove meses – desde o início da tramitação do impeachment – não se viu nas ruas do País nenhuma manifestação significativa de protesto.
E isto, com toda a certeza, é o motor – ruidoso e feroz – da frustração que abate as correntes pseudo populistas. Eles contavam com o povo no asfalto, defendendo o indefensável.
Mas, cientes do ludibrio, o povo respondeu eloquentemente com o silêncio.
Nem mesmo os apelos midiáticos do golpismo, aludidos interna e principalmente externamente, prosperaram.
Simplesmente porque estas acusações – irresponsáveis e inaceitáveis – não coadunam com a realidade em curso.
Nunca assisti um golpe que segue religiosamente os passos previstos na Constituição Federal.
Nunca assisti um golpe chancelado pela maioria esmagadora da Câmara e do Senado.
Nunca assisti um golpe comandado pela Suprema Corte Federal.
Nunca assisti um golpe no qual a suposta golpeada comparece a seu julgamento, pactuando com o processo.
Obviamente, os arautos da imagem distorcida do processo de impeachment apostavam que estariam pregando sobre um campo fértil, arado pelo estigma da republiqueta de bananas.
A fantasia maldosa, porém, se chocou com a realidade.
E o Brasil real demonstra – na obediência aos ritos sagrados da sua Carta Magna, na perseguição obsessiva aos ditames da lei e no amplo direito de defesa e exposição do contraditório – que há muito ciclos políticos descascou suas fragilidades institucionais.
Nossa República, definitivamente, está maiúscula.
Somente numa nação de instituições fortes se desenvolve um enredo como o que escrevemos no presente – delegando, à posteridade, herança para iluminar as sombras de futuras provações.
Um capítulo sem tanques; sem guerras civis; sem convulsões sociais e, principalmente, sem paralisia nacional, onde estamos – à luz da lei e à sombra de nossas instituições – resolvendo nossas mazelas internas.
E dando, ao mundo, lição de maturidade democrática.