A crítica é do atual presidente do TSE, Dias Toffoli, mas representa bem o grave processo de fragilização e descrédito geral das instituições partidárias. Em recente palestra, o ministro censurou o que chama de forma “antidemocrática” dos partidos escolherem seus candidatos.
Toffoli criticou os critérios para a construção das chapas, no que tem ampla e total razão. Não precisamos ir muito longe. Na Paraíba, o acervo de exemplos é farto. Os acordos e conchavos passam distante dos debates aprofundados dentro das instâncias e se reduzem aos interesses e conveniências dos líderes.
No PED, o PT ouviu de sua militância a deliberação por uma aliança com o PMDB. Terminou bruscamente seguindo uma rota nunca sequer ventilada em algum momento pela executiva, direção e instâncias e fechando acordo com o PSB, a quem até lançou candidatura própria contra para combater.
Privilégio do PT? Não. O PMDB madrugou no dia de sua convenção coligado com o governador Ricardo Coutinho e amanheceu improvisando postulação própria, depois de idas e vindas. O PSDB não ficou fora dessa ciranda: celebrou chapa com o PTB do ex-senador Wilson Santiago muito mais pela conveniência estrutural do que pela afinidade de projetos.
O PSB buscou no PT, um inimigo ferrenho de três anos e meio de governo, um escape para se livrar do isolamento. Para tanto, esqueceu das censuras feitas à gestão de sua maior estrela, o prefeito Luciano Cartaxo, a quem Ricardo atacou duramente em 2012 e com quem recentemente travou peleja até por propriedade de terreno.
Os casos não cabem numa Coluna. Os citados aqui servem apenas para ilustrar a fulanização dos partidos. Ao filiado, está reservado tão somente a alternativa de “acatar” a vontade das cúpulas e ao eleitor o “direito” de participar da eleição indo às urnas sacramentar o que fora decidido em conversas fechadas, entre quatro paredes.