Após o distanciamento político entre o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) e o governador Ricardo Coutinho (PSB), as bancadas na Assembleia Legislativa tentam redesenhar seus perfis, mas alguns parlamentares não sabem ainda como vão atuar a partir de agora. É o caso do deputado João Gonçalves (PSD), partido do vice-governador Rômulo Gouveia. Nessa mesma situação está o deputado Francisco de Assis Quintans (DEM).
Ambos cobram reuniões das executivas estaduais de suas legendas para discutir o tema que consideram delicado. Quintans, contudo, assegura que seja qual for a decisão seguirá o que for deliberado pelo DEM. Gonçalves fala em escutar ainda suas bases.
O caso de João parece mais complicado. Ele deixou o PEN no ano passado, no final do prazo de filiações, para se abrigar no PSD comandado pelo vice-governador. Rômulo, assim como Ricardo Coutinho, era aliado do senador Cássio Cunha Lima e prometia levar a aliança com o PSDB até 2018.
Nesta terça-feira (18), Gonçalves revelou que foi pego de surpreso com o anúncio de Rômulo Gouveia em apoiar a reeleição de Ricardo Coutinho. O deputado estadual queixou-se que, assim como Rômulo, o secretário Manoel Ludgério seguiu o mesmo caminho. O deputado disse que ambos se anteciparam e não promoveram um debate interno na legenda. Ainda por cima – lamenta João – Rômulo fez com que sua esposa, a deputada Eva Gouveia, seguisse o mesmo posicionamento.
“Vou escutar minhas bases. Não decidi nada. Quero ouvir ainda o vice-governador e vou conversar com o governador Ricardo Coutinho”, antecipou João Goçaolves.
Quintans não trocou de partido. Está no DEM há muito tempo e espera ser escutado pela direção estadual. Disse que a legenda tem uma Executiva com 11 dirigentes e que são eles que indicarão em que a bancada vai votar para governador. Mesmo depois dessa decisão, argumenta o deputado, a Executiva Nacional tem que homologar essa decisão. “O senador José Agripino tem que dar a palavra final”, disse. Agripino, senador pelo Rio Grande do Norte, é presidente nacional do DEM.