Se na Câmara dos Deputados, onde ocorreu a primeira etapa do impeachment, o PSDB foi coadjuvante, no Senado é indiscutivelmente protagonista. E está nesta posição não por ter indicado o relator do processo, o senador Antonio Anastasia, mas pela atuação da bancada, onde se destacam Aloysio Nunes e o líder, Cássio Cunha Lima.
Dois fatos seriam mais do que suficientes para atestar a performance tucana. O primeiro envolve a estratégia do PT de criar constrangimento para seus opositores, rotulando o impeachment de golpe.
O ministro José Eduardo Cardozo (AGU), ao defender a presidente Dilma Rousseff, tentou repetir o que disse, sem questionamentos, na Câmara dos Deputados: que não houve crime de responsabilidade e se for aprovado o impedimento, “haverá golpe”.
Foi surpreendido pelo desafio deAloysio Nunes:
– O senhor está dizendo que o processo é um golpe? Vá ao Supremo Tribunal Federal dizer que é um golpe. Porque não é golpe.
O semblante de José Eduardo Cardoso revelou sua surpresa, e depois o constrangimento com a puxada de orelha, ainda por Aloysio Nunes: “O senhor é advogado-geral da União, não advogado-geral de Dilma”.
No Senado, José Eduardo Cardoso não encontrou facilidades. E pelo que antecipou Cássio Cunha Lima, vai ficar pior. O tucano aceitou a recomendação da jurista Janaína Paschoal – signatária do impeachment juntamente com Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior – e pretende incluir nas análises dos senadores as acusações que constam contra a presidente Dilma na Lava Jato, e que estão no pedido original.
Janaína Paschoal citou como exemplo a compra de Pasadena, que teve aval da então presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Dilma Rousseff. A aquisição dessa refinaria, que atendia interesses do esquema montado pelo PT e aliados, teria causado prejuízo estimado em US$ 792 milhões. E na delação de Delcídio do Amaral haveria referências sobre responsabilidades dos governantes petistas.
Cássio sustenta que o Senado, durante a instrução do processo, deve esclarecer tudo. Os tucanos não querem derrubar apenas a tese de golpe, mas também a da inocência da presidente.
TORPEDO
O impeachment já foi votado na Câmara e falta o Senado. Eu não tenho nenhuma dúvida que qualquer solução é melhor do que o status quo atual, que tem levado o Brasil à situação de instabilidade social e econômica.
Do deputado Manoel Júnior (PMDB), sobre o desfecho da crise política e as perspectivas econômicas do Brasil.
Entusiasmo
O PSB ainda não bateu o martelo, mas Cida Ramos assegura que se for confirmada candidata a prefeita da Capital, vai se dedicar à missão de conquistar eleitores para o projeto que tem a marca de Ricardo Coutinho.
Indicação
O DEM do deputado Efraim Filho, que integra a base do governo Ricardo Coutinho, confirmou apoio ao nome de Cida Ramos e vai apresentar o vereador Raoni Mendes para compor a chapa como vice-prefeito.
Amigos
Após quatro anos de separação, Ricardo Coutinho e seu ex-secretário de Comunicação, Nonato Bandeira, atual vice-prefeito da Capital, estão reconciliados. O PPS deve integrar o arco de alianças do PSB na Capital.
Laureados
Sete artistas foram agraciados com a Medalha de Mérito Cultural Ronaldo Cunha Lima, da ALPB: Genival Lacerda,Biliu de Campina, Flávio José, Tom Oliveira, Três do Nordeste, Ivanildo Vila Nova e Santana.
ZIGUE-ZAGUE
O Sindicato dos Radialistas escolhe, hoje, nova Diretoria, Conselho Fiscal e Delegados. Moisés Marques encabeça a chapa “Radialistas no Rumo Certo”.
Banco Central anunciou que o déficit público do mês passado atingiu R$ 10,6 bilhões. Nos últimos 12 meses, R$ 136 bilhões ou 2,28% do PIB. Dificulta vida de Dilma.