
O Deserto do Atacama, considerado o lugar mais seco do planeta, pode ter se formado muito antes do que a ciência acreditava. Um estudo publicado na revista Nature Communications aponta que as condições extremas de seca na região do Chile começaram há cerca de 45 milhões de anos, ou seja, aproximadamente 20 milhões de anos antes das estimativas.
Até então, a comunidade científica acreditava que a aridez do Atacama havia se estabelecido entre 10 e 20 milhões de anos atrás. Os novos dados sugerem que esse processo teve início ainda no período Eoceno, após um evento de resfriamento global.
Pesquisadores analisaram amostras de quartzo coletadas na região usando uma técnica que identifica isótopos formados pela interação entre raios cósmicos e minerais expostos na superfície. Os resultados mostraram que partes da paisagem permaneceram praticamente sem alterações por dezenas de milhões de anos.
Segundo os autores, essa estabilidade está ligada à falta de chuva no local. “O núcleo hiperárido do Atacama, com menos de 2 milímetros de precipitação anual, apresenta processos superficiais extraordinariamente lentos. A paisagem é efetivamente preservada ao longo de escalas de tempo geológicas”, explicou o professor Tibor Dunai, da Universidade de Colônia.
O estudo também debate a origem da seca no Atacama. Fatores como a formação dos Andes e a influência da Corrente de Humboldt foram importantes para compor o cenário que conhecemos. No entanto, a pesquisa sugere que eles não iniciaram o processo, e sim reforçaram um ponto já seco.
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