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Desorientação, lá e cá

A presidente Dilma Rousseff não tem acertado uma. A intenção de transformar a ONU em palanque contra o “golpe” repercutiu tão mal – forçou três ministros do STF a alertarem a mandatária para o equívoco – que foi parcialmente abortada. Ela ainda falou no “grave momento que vive o Brasil”, mas elogiou a “pujante democracia” e revelou sua expectativa d eque não haverá “qualquer retrocesso”.

A percepção sobre o propósito de denunciar “golpe” na ONU foi a de que estaria priorizando interesses pessoais em detrimento do País. O recuo não evitou danos. Enquanto tentava impressionar quem não vai decidir seu destino, perdeu mais dois votos no Senado, que tem o poder para tirar seu mandato. E não de qualquer um, mas de dois vice-líderes do governo: Wellington Fagundes (PR-MT) e Hélio José (PMDB-DF).

A comissão de impeachment só será instalada na segunda-feira e o placar no Senado Federal já registra 50 votos a favor, 20 contra e 11 que não declaram. Para instauração do processo e afastamento da Presidente são necessários apenas 41 votos. Para a perda do mandato, 54, ou 1/3 dos 81 senadores. Faltam apenas quatro votos.

O engano de Dilma lá, se repete aqui, com seus aliados concentrando esforços em vingar os votos dados por deputados na votação na Câmara Federal, que não poderão ser modificados, ao invés de trabalhar os dos senadores, que ainda vão decidir.

Os aliados de Dilma primeiro tentaram constranger deputados no aeroporto, chamando-os de golpistas. Também protestaram em frente ao condomínio onde mora o deputado Benjamin Maranhão (SD), que só lamentou o incômodo aos vizinhos. Deixou claro que repetiria o voto porque considera que a Presidente é responsável pela corrupção em seu governo, especialmente na compra da refinaria de Pasadena (EUA).

A essa altura, hostilizar deputados não contribui para melhorar a imagem da mandatária, sem ajuda a reverter votos no Senado. A sociedade também tem rejeitado confrontos. Quer a solução, porque a nação tem um desafio a vencer: a crise econômica. Só em marco,118 mil vagas de trabalho foram fechadas. Já temos mais de 10 milhões de desempregados. Por essa causa vale lutar. Implicar com deputado, não.

TORPEDO

“A tentativa é claramente de intimidação. O que eu prego é respeito. Se não concordam com o meu ponto de vista, estou disposto a debater. Não podemos permitir é este tipo de agressão. Não é cabível aceitar intolerância de quem se diz defensor da democracia.”

Do deputado Pedro Cunha Lima, sobre o cerco que sofreu e os gritos de “golpista” que ouviu de aliados de Dilma no aeroporto Castro Pinto.

Garantia

Raimundo Lira (PMDB), que será o presidente da Comissão do Impeachment no Senado, disse que tomará todos os cuidados e assegurará ampla defesa a presidente Dilma, que tem minoria entre integrantes.

Sem cargos

O senador Cássio Cunha Lima é contra o PSDB assumir cargos num futuro governo Temer. “É preciso acabar com o loteamento e chamar quadros técnicos, é por isso que temos 40 ministérios”, diagnosticou.

Dívida

A OAB acionouo STF contra o Governo da Paraíba, para garantir verba para precatórios. Por decisão do STF, o Estado deve assegurar 5,2% da receita corrente líquida/mês (R$ 32 milhões), mas só quer entregar 1,5%.

Candidatíssimo

Pré-candidato a prefeito de João Pessoa pelo PTB, o deputado Wilson Filho desmentiu conversas do seu partido com o governador Ricardo Coutinho (PSB). Disse que seu projeto está mais sólido do que nunca.

ZIGUE-ZAGUE

Após discursar no Senado anunciando seu voto pelo impeachment, Hélio José (PMDB-DF), até então vice-líder do governo, visitou Michel Temer no Jaburú.

Como já está na CCJ, o senador José Maranhão pediu para ser substituído na Comissão de Impeachment do Senado. Dario Berger (SC) virou titular.

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