A empresa brasileira sobe uma escada rolante que se move em sentido contrário.
A metáfora foi cunhada por um talentoso e visionário empresário paraibano ao retornar, há dezenove anos, de viagem à China, onde havia acabado de estartar alguns investimentos. E a imagem mental que ela proporciona ilustra, com perfeição, a engrenagem produtiva do Brasil.
De fato, quem produz neste País empreende esforço sobre-humano para não ser tragado por essa escada movida por uma carga tributária esmagadora, baixos investimentos logísticos e emaranhado burocrático paralisante.
Nossa escada se move no sentido inverso: em lugar de ser ascendente, é descendente.
Na China, ao contrário, a ascendente classe empresarial – que eclode junto com a explosão econômica – pode até se permitir ficar parada em algum lance dessa escada imaginária (inércia, aliás, que é comum em escadas rolantes). Pois mesmo estancados, eles sobem.
Pegam impulso na guinada do PIB chinês, que nos últimos 25 anos ostenta crescimento médio anual de 10%.
Ao contrário da China, o Produto Interno Bruto do Brasil cresce de forma bem mais modesta. E quase que exclusivamente em função das exportações de commodities e do agronegócio.
O restante do setor produtivo – especialmente as pequenas e médias empresas – têm que enfrentar esta escada rolante que puxa todos para baixo.
É mais do que um esforço estafante. É um triste desperdício da capacidade produtiva brasileira.
Empenhamos nossas energias e criatividades para não sermos tragados, quando na verdade deveríamos estar usando o talento da indústria nacional para crescer – arrastando, à reboque, o próprio Brasil.
Usando todos os neurônios, toda a inspiração e transpiração para continuar a existir – ao invés de expandir – acabamos construindo empresas mais pesadas do que o ar.
Resultado? Caímos.
Mais cedo ou mais tarde, vem a queda inevitável – e as estatísticas alarmantes de insolvências mostram, com a clareza fúnebre das lápides, porque nosso cemitério de empresas tem expansão eterna.
Lá jazem criatividades e talentos aplicados unicamente no sentido defensivo, quando na verdade estas forças deveriam ter sido usadas no empreendedorismo.
A despeito de tudo isso, não gostaria de ser chinês. Sou um patriota orgulhoso de ser brasileiro.
E de algum patamar dessa escada que opera na lógica da queda, do tragar, do afundar, puxo pela mão do otimismo a esperança de, um dia, a criativa, trabalhadora e destemida classe empresarial brasileira encontrar nesta nação um ambiente favorável para subir, crescer e prosperar.