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Deuses da Terra do pintor Sérgio Lucena participam de Mostra Armorial

A famosa série Deuses – dez pinturas do artista plástico paraibano Sérgio Lucena, desembarcaram no Nordeste pela primeira, vez para integrar “A Mostra Armorial – da Pedra do Reino ao Ponteio Acutilado”, numa promoção da Caixa Cultural do Recife. A abertura será nesta sexta-feira, às 17h, na avenida Alfredo Lisboa, 505, no bairro do Recife, próximo ao Marco Zero A curadoria é de Claudinei Roberto.

A Mostra tem o objetivo de recuperar parte da história do Movimento Armorial e vai reunir também obras do gravador Gilvan Samico e do escultor Francisco Brennand, além de fotos, documentos e registros das experiências em música, literatura, teatro e dança de grupos como o Balé Armorial do Nordeste, a Orquestra Armorial de Câmara, a Orquestra Romançal e o Quinteto Armorial.

“A Mostra reflete o Movimento Armorial e aponta seus desdobramentos na arte brasileira e, claro presta reverência ao criador do movimento, o mestre Ariano Suassuna”, disse o artista pelo telefone ao Correio.

Segundo Lucena entre os dez trabalhos da série Deuses,  tem um da série ÆNIGMA 2008/2011, e outro da sua pintura mais recente. “Para justamente falar dos desdobramentos de uma pintura que, fundada em valores arcaicos, re-significa esses mesmos valores numa dimensão cósmica. Ou seja, na essência, as coisas que realmente importam, as coisas fundamentais são as mesmas sempre”, disse

O convite veio do próprio curador Claudinei Roberto, que acompanha de perto o trabalho de Lucena e entendeu que a série Deuses 2003/2007, condizia com o conceito da Mostra Memorial. “Fiquei muito feliz em ver acordarem os Deuses após um sono de 11 anos, desde que foram vistos pela primeira e única vez no MuBE – Museu Brasileiro da Escultura, aqui em São Paulo, e partirem em viagem à terra da sua origem, o Nordeste brasileiro, o leito rochoso que sustenta a mim e a minha pintura”, argumenta.

Toda essa produção foi feita em São Paulo onde Lucena está radicado há 15 anos. “Eu trouxe os Deuses comigo. Trouxe-os encobertos como um tesouro, tão bem guardados que nem mesmo eu podia vê-los. Aqui eles afloraram e revelaram sua potência escura e fértil, a sombra densa que é a minha luz”.

A produção atual do artista é bem intimista “Bem íntima, fala do que vejo e sinto, talvez por isso mesmo venha despertando tanto interesse mundo afora. A beleza do conceito da globalização está exatamente na comunhão das diferenças em um lugar comum, o da expressão humana mais profunda. Hoje a geografia é outra, não é física, com fronteiras e coisas do gênero, a geografia é a do pensamento, das múltiplas formas de pensar e ver a mesma e única realidade”.

Quem conhece o trabalho de Sérgio Lucena sabe que ele está sempre em busca do inusitado “Ao artista só interessa aquilo o que ele não sabe. É isso o que eu quero e o que eu não sei, o que está para além de mim, é para lá que eu vou. Somos todos humanos, vivemos no mesmo planeta e somos todos filhos da terra, da natureza. É muito rico ver esse ecossistema humano, milhares de culturas, bilhões de pessoas compondo com suas diferenças, quais fossem acordes musicais, essa gloriosa sinfonia que é a experiência humana no universo”

Lucena está nos preparativos para próxima exposição nos Estados Unidos, agora em Julho. “É um projeto muito especial que tem me tomado todo tempo e energia”. – Quando vem a Paraíba com esses Deuses? “A Paraíba é quem sabe, para mim é sempre uma honra e uma alegria voltar a minha terra com o meu trabalho, basta que me convidem que estarei sempre pronto”, fecha.

*Por Kubitschek Pinheiro, do Jornal Correio da Paraíba

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