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Dever de casa

Não é só coisa da Paraíba, admitamos. Até no Congresso Nacional o comparecimento dos parlamentares é baixo no período das eleições. Deputados e senadores, que já não são um exemplo de excelência no cumprimento do expediente em tempos “normais”, se mandam para seus estados para fazer campanha.

Na Paraíba, a cena se repete. De nada valeram as manifestações de junho, quando o povo foi à praça expressar de maneira inequívoca a insatisfação com as políticas, os serviços públicos e a atuação dos nossos agentes políticos. A julgar pelo o que estamos assistindo, a maioria se mantém mouca aos gritos das ruas.

Após as convenções, toda semana a Assembleia registra dificuldades de quórum para votação. E o pior; entre os que se esforçam para ir ao trabalho, a falta de apetite para os debates de interesse dos paraibanos é latente e visível. O aparecimento é só pra cumprir tabela, ao que parece.

Em Campina Grande, para citar outro exemplo, a Câmara da cidade chegou ao ponto de reduzir para apenas uma sessão deliberativa o trabalho da Casa. Justificativa? Garantir tempo livre na agenda dos vereadores, principalmente os que estão dedicados e empenhados na disputa por uma vaga na Assembleia.

Esquecem deputados e vereadores que não diferem em nada dos trabalhadores comuns. Antes de serem ‘estrelas’ da política, eles são ‘funcionários’ públicos. Aliás, muito bem pagos com remuneração de fazer inveja a tantos e tantos empregados da iniciativa privada e servidores da administração pública.

Para ter autoridade de pedir e merecer o voto, o político precisa, antes, fazer o dever de casa. Cumprir a leve jornada de trabalho é o mínimo de respeito que se pode demonstrar ao cidadão que rala tanto. Inclusive para pagar a conta dos gabinetes.

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