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Exposição a fontes sonoras extrapolam no carnaval; veja recomendações

O período carnavalesco está cada vez mais próximo com a prévia Folia de Rua, que será seguida pelo Carnaval Tradição. Porém, no meio desse universo de alegria, cores e música, um detalhe pode trazer problemas à saúde auditiva dos foliões. A música alta em excesso dos trios elétricos, baterias de escolas de samba, entre outros, pode comprometer seriamente a audição. Especialistas alertam que há risco da perda auditiva piorar com a exposição a ruídos altos por longos períodos.

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“A exposição a ruídos muito altos por longos períodos pode acarretar em danos irreversíveis aos ouvidos. Muitas vezes, não percebemos que já estamos com perda auditiva e ela só tende a aumentar com o passar dos anos”, explicou a fonoaudióloga Maria do Carmo Branco, gerente de produto do Grupo Microsom, que oferece soluções para audição, zumbido e apneia.

De acordo com a fonoaudióloga Marine da Rosa, coordenadora do grupo de pesquisa sobre Audição e Zumbido, do Centro de Ciências da Saúde (CCS), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), entre os jovens, ultimamente o uso de fones de ouvido em alto volume também tem contribuído. “Por isso, a estatística vai aumentar. O ouvido é muito frágil e, se for exposto, vai lesionando progressivamente”.

Há pesquisas, conforme Marine, comprovando que os mais jovens terão muitas perdas auditivas em razão do uso de fones de ouvidos e pela exposição ao excesso de volume nas baladas. Em relação aos níveis seguros, ela explicou que uma pessoa pode se expor a 85 decibéis (dB) por até oito horas. Mas, na medida em que aumenta a intensidade do som, o tempo de exposição precisa diminuir. “Hoje, os mais jovens têm mais perdas por conta dessa exposição excessiva ao volume alto”, completou.

180 mil | É o número de pessoas, na Paraíba, com algum grau de deficiência 
auditiva, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
Em 2050, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número deve dobrar.

Como o barulho afeta a audição

A fonoaudióloga Maria do Carmo Branco explicou que no ouvido interno está a cóclea, parte importante no processo da audição. Além de líquido, a cóclea possui ‘células ciliadas’ que são extremamente sensíveis. Esses cílios movem-se quando estimulados por vibrações sonoras e transmitem essa informação para o cérebro. Uma vez danificadas, essas células não se regeneram e o indivíduo não voltará a ouvir como antes.

“A recomendação para exposição a fontes sonoras acima de 110 decibéis (dB) é de cerca de 30 minutos, mas não é o que acontece durante o período do Carnaval. Sendo assim, é preciso tomar algumas medidas para preservar a saúde auditiva, principalmente no caso dos bebês e crianças pequenas. Se eles começarem a chorar e ficarem irrequietos, o barulho alto pode estar incomodando”, alertou a especialista.

Números 

> 466 milhões de pessoas no mundo sofrem com problemas auditivos 
> 34 milhões delas são crianças
> 900 milhões de pessoas com problemas auditivos até 2050
> 30 milhões sofrem de surdez (número aproximado)

Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS)/Ministério da Saúde

O nível máximo de exposição suportável recomendado pela Organização Mundial de Saúde para o ouvido humano é de até 85 decibéis. Para se ter uma ideia comparativa, a turbina de um avião a jato na pista produz até 140 dB de ruído. A bateria de uma escola de samba pode produzir até 110 dB, o que piora quando em locais fechados como durante os ensaios em suas quadras.

Proteja-se no carnaval!

  • Não fique direto exposto ao som muito alto por longos períodos. Faça pausas regulares em ambientes menos ruidosos a cada meia hora. Se sentir zumbido no ouvido, talvez seja hora de parar;
  • Mantenha-se a uma distância de pelo menos 10 metros das fontes emissoras de som;
  • Use protetores auriculares para reduzir o barulho. Isso vale para adultos e crianças;
  • É recomendado não permanecer próximo dos equipamentos de som, principalmente no caso de bebês e crianças menores;
  • No caso de crianças e adolescentes, pergunte se estão com algum barulho ou incômodo no ouvido após a exposição à música alta. Se o sintoma persistir procure um otorrinolaringologista para fazer uma avaliação;
  • Os usuários de aparelhos auditivos devem lembrar de reduzir o volume do seu dispositivo para evitar mais danos à sua audição.

* Lucilene Meireles, do Jornal CORREIO, com assessoria

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