Ser funcionário de uma mesma empresa por 55 anos é uma história difícil de ser encontrada. O Botafogo conta com esta dedicação que ultrapassa a paixão por um clube e tem, diariamente, o trabalho de Prince, o ex-craque que será homenageado pela diretoria.
Prince chegou ao alvinegro em 1959 e, desde então, não saiu. Atuou com a camisa do Belo até 1966, sendo goleador da equipe durante os sete anos que defendeu a estrela vermelha, deixando a carreira profissional logo em seguida.
A partir de então, passou a trabalhar e hoje desempenha suas atividades junto a garotada das categorias de base, sendo um faz tudo no Departamento Amador. A paixão continua e Prince já avisou que só deixa as dependência do Botafogo quando morrer.
Esta é mais uma das homenagens realizadas pela diretoria aos seus ex-atletas, reconhecendo a história do clube. A ação acontecerá pouco antes do apito inicial da partida Botafogo x Goiás, válida pela primeira fase da Copa do Brasil.
Confira as palavras do vice-presidente do Departamento Social, Francisco Di Lorenzo Serpa.
Prince: um patrimônio inalienável
Ele com apenas dezenove anos chegou para integrar o elenco profissional do time mais vezes campeão do estado. Vinha dos times amadores da capital, onde tinha sido uma promessa em decorrência do seu modo de jogar.
O ano era o de 1959, e o então garoto Simpliciano Ferreira Neto, popularmente conhecido por PRINCE, realizava um grande sonho: ser jogador de futebol profissional vestindo as cores preta e branca do Botafogo Futebol Clube.
Ele jogava com raça e com amor, mas o seu futebol era clássico, com jogadas bem produzidas e com maestria, pelo lado direito do campo ofensivo. PRINCE era um ponta direita inteligente que sabia para onde e quando a bola seria lançada.
E para completar o seu desempenho em campo, era artilheiro, sabia marcar gols, como aconteceu em uma longínqua data, no campinho da Graça, quando o Belo venceu o Clube Náutico Capibaribe por 4 x 2, com dois gols de sua autoria e dois do volante Marajó. Aliás, o time de Recife fez tudo para levá-lo para os Aflitos, transação que não foi realizada por falta de acerto financeiro.
Sua carreira profissional foi relativamente curta. Em 1966 ele a encerrou, conquistando o título de vice-campeão do estado, ainda jogando pelo Botafogo: único clube profissional em que jogou. Uma grande característica de seu futebol, o que lhe rendia aplausos e reconhecimentos era a forma de jogar para o time, o espírito de equipe.
Esta relação não acabaria, com o pendurar das chuteiras. Ao contrário. Outra nova e destacada relação de imediato passou a existir até os dias de hoje. PRINCE passou a ser funcionário administrativo do clube, tendo o seu trabalho ênfase no Departamento Amador.
Vários craques que saíram das categorias de base passaram por esse cidadão e patrimônio do clube, apelidado de Prince. Ele passou a ser aquele que faz tudo em um departamento amador.
São mais de cinquenta anos de dedicação e amor ao clube: Dentro e fora das quatro linhas. Um patrimônio inalienável do Botafogo. Hoje, ele tem 75 anos de idade, e com muita emoção me falou, Serpa: ” Só deixarei o Botafogo morto”.
Em nome de toda a Diretoria e da imensa torcida do Botafogo Futebol Clube, nosso muito obrigado por tudo que você fez pelo clube!