O documentário “Sem Pena”, vencedor do prêmio de melhor longa para o júri popular, Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, será exibido na Sala Paulo Pontes, no Teatro Municipal Severino Cabral, nesta quinta-feira (14), às 20h, com entrada franca.
Leia mais notícias de Entretenimento no Portal Correio
O filme paulista, de Eugênio Puppo, foi além do tradicional modelo de entrevistas com imagens dos depoentes, num longa que se apoia nas vozes dos entrevistados, com a declarada intenção de que os espectadores se concentrem no conteúdo do que é dito, sem sofrerem influência da aparência, cargo ou classe social de quem é ouvido.
A montagem levou 14 meses, tem 270 horas de material, com 52 entrevistados, destes restaram apenas 11.
Segundo Eugênio Puppo, “nenhuma população carcerária cresce na velocidade da brasileira que já é a terceira maior do mundo”. O documentário “Sem Pena” desce ao inferno da vida nas prisões brasileiras, para expor as entranhas do sistema de justiça do país, demonstrando como morosidade, preconceito e a cultura do medo só fazem ampliar a violência e o abismo social existente.
O documentário mostra instituições, ruas e fragmentos de imagens de pessoas ou objetos para deflagrar uma contundente discussão sobre uma das mais dramáticas mazelas nacionais – a situação da justiça criminal no país.
“Sem Pena” mostra também todos os personagens de uma audiência, em que uma senhora se defende da acusação de tráfico de drogas. Com a ré, uma testemunha, uma promotora, um advogado de defesa e o juiz diante das câmeras – situação raramente permitida -, o filme ilustra alguns dos pontos levantados pelos depoentes do filme, como a desigualdade social e o arcaísmo de alguns mecanismos judiciais.
O longa tem parceria com o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), entidade ativa no circuito judicial há 14 anos que garantiu o acesso a muitos locais normalmente proibidos à presença das câmeras.
Um dos entrevistados, o antropólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário da segurança do Rio de Janeiro, depõe sobre o encarceramento de suspeitos e jovens pobres, e sobre a impunidade relativa apenas a algumas classes sociais.
Uma excelente opção para estudantes e profissionais do Direito, do Jornalismo, Assistentes Sociais, entre outros.