Estava demorando. Imaginava-se que essa trégua entre o governador Ricardo Coutinho e o senador Cássio Cunha Lima não demoraria muito tempo. Foi apenas um cessar fogo pós-urnas. Um ainda está com o outro atravessado na garganta. Cássio pela derrota e Ricardo pelo rompimento.
A sena acumulada explodiu e agora veio à praça. Os dissabores do fim da relação e a rivalidade latente, confirmada pelo acirramento das urnas, saem dos sentimentos mais recônditos e se exteriorizam. De sexta-feira pra cá, o embate dos dois pautou todo o noticiário.
Cássio agitou o caldeirão ao mexer nos processos eleitorais impetrados contra o então candidato à reeleição socialista e requentou pontos bem explorados na campanha para atirar contra o caráter “desumano” do gestor. No resumo, chamou o governador reeleito pra briga.
E Ricardo, forjado nos embates, topou. No revide, entrou de sola. Saiu da retórica da desconstrução do político e navegou pelas águas da desqualificação da personalidade de Cássio, tratado como um “filho” mimado acostumado a ter sempre tudo o que quis e a dar “chiliques” quando contrariado.
De lado a lado, o que fizeram, na prática, foi reacender uma disputa renhida, cujo resultado surpreendeu o mundo político. Ricardo se afirmando com a liderança detentora do maior poder e prestígio eleitoral e Cássio demarcando no território político o seu espaço de general das oposições.
A reedição desse enfrentamento dá a Ricardo uma oportunidade de ampliar sua estratégia de descaracterização de Cássio como gestor, e isso ficou muito nítido na eleição e nos debates, e a Cássio de acordar seu exército, ainda em processo de anestesia pelo duro revés e derrota nas urnas. Pros dois, a briga é boa. Para a Paraíba, nem tanto.