Fé. Este é o motivo pelo qual milhares de fiéis aceitaram o desafio de cruzar 14 quilômetros em caminhada na 251ª Romaria da Penha na madrugada desse sábado (29) para este domingo (30) em João Pessoa.
Leia mais Notícias no Portal Correio
Graças alcançadas, pedidos de intercessão para os próximos anos e momentos de muita emoção em meio aos cânticos religiosos impulsionaram facilmente quem acompanhou a maior procissão da Paraíba. Sair do Centro da Capital e enfrentar todo o trajeto até o Santuário da Penha, destino da imagem, no bairro de mesmo nome, exigiu dos romeiros muito mais que preparo físico, a perseverança foi necessária.
Rosicleide Pereira, 35 anos, é devota de Nossa Senhora da Penha há muitos anos, mas nunca havia realizado o pagamento de qualquer promessa. Neste ano resolveu seguir caminhando até o santuário para agradecer pela cura a filha de apenas 2 anos, a criança passou por cinco cirurgias para correção de problemas no intestino e se recuperou rapidamente.
“Sou muito devota de Nossa Senhora, hoje estou trazendo minha filha porque o tio dela fez a promessa de nós irmos até a Penha caso desse tudo certo e graças a Deus esse ano eu vou agradecendo”, disse ela.
Núbia Figueredo, aos 46 anos, nunca perde a romaria e neste ano, um motivo especial fez a católica estar com ainda mais disposição de chegar até a Penha.
“Sou devota desde que nasci, sou consagrada à ela, a procissão representa para mim muitos milagres e neste ano vou agradecer à Nossa Senhora pela cura de um câncer de mama e quero pedir à mãe pela saúde de todos os enfermos”, afirmou a cristã, que ao lado do filho fez todo o trajeto.
Neste ano a imagem da santa saiu da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes às 22h15, chegando à Penha cerca de cinco horas de caminhada após, onde ao amanhecer uma missa campal foi celebrada pelo arcebispo da Paraíba Dom Aldo Pagotto.
Comércio
Além da fé, muitas pessoas viram na romaria uma maneira de garantir uma renda a mais para o fim do ano. Nesta edição grande parte dos ambulantes da caminhada vieram de longe para tentar as vendas em João Pessoa.
Vinda de Canindé, no Ceará, Vanderleia Braga, 28 anos, é devota da santa desde a infância, neste ano ela ultrapassou as divisas para poder estar na capital paraibana vendendo artigos religiosos.
“Eu trabalho há muito tempo com a venda desses produtos no Ceará, alguns colegas me falaram sobre a procissão e acabei vindo porque também sou muito devota de Nossa Senhora da Penha”, disse ela.
Entre os produtos da cearense, os romeiros podiam encontrar terços que variavam entre R$ 3 e R$ 10, os crucifixos iam de R$ 5 a R$ 10.
Entre as vendas de bebidas apenas as sem álcool eram permitidas, a Arquidiocese da Paraiba mais uma vez neste ano fez um apelo para que os comerciantes não incitassem o consumo alcoólico para evitar a perda do foco na romaria, os fieis também foram orientados a não desviar o sentido de fé pregado em uma das maiores festas do catolicismo paraibano.