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67% dos internautas concordam com saída de médicos cubanos

Há um mês, o governo cubano surpreendia ao anunciar a saída do programa federal Mais Médicos e a determinação para a volta dos profissionais para a ilha caribenha. A medida gerou bastante questionamentos por partes da sociedade brasileira. Pensando nisto, o Portal Correio realizou uma enquete para saber a opinião dos internautas. A pergunta feita foi: “Você concorda com a saída dos médicos cubanos do Brasil?”. Dos 2.147 votos, 63% (1.345 votos) dos leitores afirmaram concordar com a medida. Já 37% (802 votos) foram contras.

Para o presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba, Roberto Magliano, esta questão já está superada, já que os médicos já voltaram para seu país de origem. Ele afirmou ainda que quando o CRM manifestou-se contra o programa e alguns profissionais, referia-se aos médicos que não eram submetidos a uma validação do registro.

“Quando o CRM se manifestou contra o Mais Médicos da forma que foi concebido, foi porque entendemos que aqueles profissionais deveriam ter o seu registro validado. Se eu sair do Brasil para exercer a medicina na Alemanha, por exemplo, terei que fazer um teste lá. Eles vão analisar o currículo, me por a prova antes de exercer e o governo do Brasil ignorou esta premissa e passou a aceitar profissionais, sem que precisasse comprovar que de fato eram médicos. Não foi contra os cubanos, porque também tinham brasileiros nesta situação”, explicou.

Entenda a decisão

O governo de Cuba informou no dia 14 de novembro que deixaria de fazer parte do programa Mais Médicos. A justificativa do Ministério da Saúde cubano foi que as exigências feitas pelo governo eleito eram “inaceitáveis” e “violam” acordos anteriores. O presidente eleito Jair Bolsonaro disse, na sua conta do Twitter, que a permanência dos cubanos estava condicionada à realização do Revalida pelos profissionais, que é o exame aplicado aos médicos que se formam no exterior e querem atuar no Brasil.

“Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, disse o presidente eleito, na rede social. “Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos”, publicou.

Histórico

O programa foi criado em 2013, na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, para levar médicos a regiões distantes e periferias do país. A vinda dos médicos cubanos foi acertada por meio de convênio firmado entre os governos brasileiro e de Cuba, por meio da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), e que dispensava a validação do diploma dos profissionais. Na ocasião, o acordo foi questionado por entidades médicas brasileiras.

Em abril deste ano, o Ministério da Saúde confirmou a suspensão do envio de 710 profissionais cubanos ao Brasil para trabalhar no programa Mais Médicos. Na ocasião, o então ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse que a iniciativa não prejudicaria o país. Segundo Barros, o governo cubano tinha a previsão de reduzir de 11,4 mil para 7,4 mil médicos de Cuba no período de três anos. De acordo com ele, as substituições serão feitas por médicos brasileiros que estão no cadastro anterior. Anteriormente, a previsão era de o Brasil receber de 3 mil a 4 mil profissionais cubanos este ano.

Atualmente, conforme dados do ministério, o programa tem 18.240 médicos trabalhando em 4.058 municípios e 34 distritos sanitários especiais indígenas.

À Agência Brasil, a Opas informou apenas que encaminhou o comunicado do governo cubano ao Ministério da Saúde do Brasil.

Países

O Ministério da Saúde de Cuba informou que há médicos cubanos em atuação em 67 países. Em 55 anos, o órgão destacou foram 600 mil missões internacionais, em 64 países, envolvendo mais de 400 mil profissionais de saúde cubanos.

O órgão informou que os profissionais da área trabalharam no combate ao ebola na África, à cólera no Haiti e em missões de desastres e epidemias no Paquistão,na Indonésia, no México, Equador, Peru, Chile e na Venezuela.

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