
A China, uma das principais parceiras do Irã, deve evitar pressionar o país durante a guerra com os Estados Unidos e o Israel, ainda que haja uma escalada do conflito ou da crise energética global. As informações são do The New York Times.
O jornal americano destaca que, apesar do aumento da pressão internacional, há poucos indícios de que Pequim esteja disposta ou tenha interesse em influenciar Teerã a aceitar condições que encerrem a guerra. Especialistas ouvidos pelo NYT afirmam que esperar uma postura mais ativa da China nesse sentido revela uma leitura equivocada de sua política externa.
Para Ding Long, professor do Instituto de Estudos do Oriente Médio da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, Pequim não demonstra intenção de favorecer Estados Unidos ou Israel, seguindo sua tradicional diretriz de não interferência em assuntos internos de outros países. A principal exceção a essa postura envolve Taiwan e o Mar do Sul da China, regiões em que adota uma abordagem mais assertiva, recorrendo a instrumentos econômicos e militares.
Além disso, autoridades chinesas mostram baixa disposição para assumir compromissos de defesa de terceiros e se envolver em um conflito que possa comprometer sua estabilidade.
Mais recentemente, o presidente da China, Xi Jinping, criticou o desrespeito ao direito internacional, afirmando que mundo o “não pode voltar à lei da selva”. A declaração foi encarada como uma indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na mesma ocasião, o líder chinês apresentou uma “solução” para paz no Oriente Médio baseada em um plano de quatro pontos.
O The New York Times aponta, porém, que a proposta se limita à defesa da soberania e ao respeito às normas internacionais. O posicionamento reforça a postura cautelosa de Pequim, que, afirma a publicação, tem respondido de forma vaga aos pedidos iranianos por garantias de segurança.
Outro fator que ajuda a explicar essa cautela, de acordo com o jornal, é o receio de assumir responsabilidades caso as negociações fracassem. O país também enfrenta limitações práticas, como, por exemplo, a falta de uma rede global de bases como a dos EUA.
Ao NYT, especialistas avaliam que uma participação mais direta de Pequim no conflito é improvável, a menos que os interesses chineses fossem atingidos de forma mais evidente.
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