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A onda de estímulos que vem dos sons

Barulho de água, manipulação de caixas e papéis, comidas sendo cortadas, ou apenas vozes suaves mudam nossas reações

6 de novembro de 2018

Texto e Fotos: Lorena Alencar

Imagens: Isis Vilarim
Edição de imagens: Vinícius Miron

Edição de texto e montagem: Nice Almeida

Você costuma sentir sono ao ouvir o barulho da chuva ou a voz calma de uma pessoa gentil? Isso é mais comum do que se imagina. O que acontece é uma reação do corpo humano com algumas sensações diante de estímulos sonoros. Este fenômeno já foi percebido por alguns produtores de conteúdo para YouTube e é conhecido por ‘ASMR’, sigla para Autonomous Sensory Meridian Response (resposta sensorial meridiana autônoma, em português). Apesar do grande sucesso, há poucos estudo científicos sobre as técnicas.

Não se sabe a origem desta sigla, apenas se sabe que ela surgiu na internet desde 2010. Basta pesquisar nos sites de buscas por ‘ASMR’ para encontrar um grande lista de sugestões desse conteúdo. São vídeos que exploram técnicas que causam sensações prazerosas. Você vai perceber que a maioria dos vídeos focam no articulador, causando a impressão de proximidade física, como se a pessoa estivesse totalmente dedicada a você.

Para produzir esse tipo de conteúdo, é necessário não só uma boa ideia na cabeça e uma câmera na mão. Os vídeos com mais visualizações são feitos com um microfone binaural, que dão uma sensação de proximidade, por captar a perspectiva do ouvido humano. E aí um detalhe importante: estes conteúdos devem ser ouvidos com fone de ouvido.

Alguns sons levam o ser humano ao relaxamento

Barulho de água, manipulação de caixas e papéis, comidas sendo cortadas, ou apenas vozes suaves. Com milhões de visualizações, esses conteúdos focam geralmente no rosto do Youtuber, dando a sensação que o vídeo é feito de forma exclusiva para cada internauta.

Mesmo com tantas possibilidades, algumas pessoas simplesmente não sentem nada ou se irritam facilmente. Para saber isso, basta um teste por conta própria. Os produtores desse conteúdo orientam que em caso de irritabilidade, devem “suspender o uso”.

          Exemplos desses estímulos:

 

  • Sons com a boca (beijos, mastigação, estalar de lábios);
  • Vozes suaves;
  • Trabalhos manuais;
  • Sons da natureza (chuva, cachoeira, passarinhos);
  • Atenção pessoal (maquiagens, exames médicos,                                                                                                                             limpeza de pele, corte de cabelo).

Auxílios terapêuticos

Apesar do grande sucesso, há poucos estudos científicos sobre as técnicas. Alguns profissionais da Psicologia indicam esse conteúdo como cuidado paliativo, em caso de insônia e ansiedade. “Eles podem ser usados no sentido de complementar, para que na hora do sono a pessoa possa fazer uma higiene do sono. Como também uma luz mais baixa, tentar relaxar, sons que acalmam mais. Estes são elementos para a higiene do sono”, esclarece a professora de Psicologia, Aline Arruda. Ela ressalta que isso não deve substituir o tratamento médico, pois, a “ansiedade, por exemplo, tem tratamentos específicos e terapia pra trabalhar o que tem provocado. Em casos mais graves, medicamentos devem também ser usados”.

Na Paraíba, segunda a Secretaria de Estado da Saúde (SES), nos cinco primeiros meses de 2018, foram diagnosticados 186 pacientes com ansiedade generalizada. Este transtorno é caracterizado por sentimentos de preocupação excessiva. Essa preocupação excessiva pode levar a outros sintomas, como por exemplo agitação, medo e tensão muscular.

Segundo a professora, outro elemento que atrai a atenção do internauta é a aparência dos Youtubers. “Eles trazem, em sua maioria, rosto bonitos de pessoas jovens. Então tem um elemento aí que já é atrativo visualmente”, explica. Mesmo para os que apenas ouvem, Aline explica que esses sons remetem à memória auditiva, como sons do útero ou voz suave da mãe, acalmando então o ouvinte.

O que diz a audiologia

Na Audiologia (área de estudo da Fonoaudiologia) entende-se que o cérebro é o verdadeiro responsável pela “escuta”. “Quem nos dá a possibilidade de ouvir são as estruturas periféricas, especificamente, a cóclea, localizada na orelha interna. Quem “escuta”, na verdade, é o nosso cérebro, quando são ativadas regiões específicas e podem gerar, além da compreensão do que “ouvimos”, situações de relaxamento ou estresse diante de determinados sons aos quais estamos expostos”, explica a professora de Fonoaudiologia, Karla Bezerra.

Ela ainda explica que o mesmo som pode ser extremamente relaxante para uma pessoa, mas desconfortável e irritante para outra, “apesar de estudos comprovarem que a maioria das pessoas sentem-se mais tranquilas quando expostas a sons mais graves e lentos, ajudando, inclusive, no combate a insônia, enquanto os sons mais agitados ativa áreas do cérebro que nos deixa mais ativos”, expõe.

Com tanta variedade desses conteúdos na internet, o que importa mesmo é fazer um bom uso desse material, mas nunca esquecer de buscar ajuda terapêutica, em caso de necessidade.

E por fim, bom sono !

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