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Seguros cibernéticos protegem contra ataques virtuais

Enquanto os hackers se aperfeiçoam e a Lei brasileira fica mais rígida com a proteção dos dados das pessoas, os seguros cibernéticos surgem como opção para resguardar eventuais perdas.

15 de Outubro de 2018

Texto, edição e captação das imagens:  Luís Eduardo
Montagem: Vinícius Miron

Muito provavelmente você já teve seu computador invadido por um vírus. As consequências deste ataque podem ter sido uma lentidão maior na sua máquina ou até a perda das fotos das suas últimas férias. Porém, os prejuízos causados por invasões cibernéticas podem ser muito maiores quando as vítimas são grandes empresas. Apenas no ano de 2017, entidades brasileiras perderam R$ 22 bilhões em decorrência da ação de hackers. Mas em meio a escuridão da falta de segurança virtual, brilha a luz das seguradoras cibernéticas. O novíssimo serviço oferece às empresas a proteção de seus dados e o custeio de eventuais perdas.

E como funciona?

No Brasil, o serviço ainda engatinha, enquanto no mercado americano, ele já consegue andar com as próprias pernas. Talvez por esse motivo, o Brasil ocupa a segunda colocação no ranking de países que mais perderam dinheiro por crimes cibernéticos no ano de 2017, enquanto os Estados Unidos ocupam a quarta colocação, mesmo tendo uma economia muito mais pujante. Os dados são do Norton Cyber Security Insgiths 2017, que averiguou que o Brasil perdeu mais de R$ 22 bilhões através de crimes virtuais.

Pensando neste cenário, o empresário de São Paulo, Odair Júnior fundou uma start-up de seguradora que oferece este tipo de serviço à empresas que queiram resguardar seus dados e sistemas contra eventuais ataques. Odair explica como funciona, na prática, uma seguradora cibernética. “O seguro tem duas frentes: a cobertura para a empresa das despesas que ela terá em virtude de uma perda de dados, e a cobertura para reclamações de terceiros.O segurado pode contar com diversas coberturas com lucros cessantes por interrupção de rede, gastos com restauração e recuperação de dados, custo de restituição de imagem pessoal ou da sociedade, extorsão, gastos com notificação e monitoramento, custo decorrente de uma investigação administrativa, pagamento por decisão judicial ou arbitral, responsabilidade de dados pessoais ou corporativos e responsabilidade de dados de terceiros vazados por empresas terceirizadas”, elenca Odair.

O mundo chorou e o seguro subiu

Se a princípio os serviços podem parecer tentadores a quem tem muito o que proteger, o empresário revela que a venda de apólices não decolou logo de início, mas que um evento mundial fez a procura subir. Em junho de 2017, um ataque virtual fez o “mundo chorar”. O WannaCry foi um episódio que parou diversos do mundo inteiro, inclusive do Brasil, como o Ministério Público de São Paulo e até o INSS. Mas afinal, o que foi este fenômeno?

WannaCry é um ransonware, uma espécie de vírus que ‘sequestra’ dados de empresas e grandes órgãos, e cobra um resgate milionário para devolvê-los. Mesmo alguns suportes mais modernos já oferecendo maneiras nativas de se prevenir contra este tipo de ataque, diversos órgãos , principalmente públicos, ainda contam com estrutura de informação precária, o que facilita a ação de hackers. Desta forma, as entidades precisaram arcar com o resgate de seus dados. E esse sinistro teria sido recebido de maneira mais tranquila pelos empresários, caso contassem com algum tipo de seguro cibernético.

Dessa forma, o evento que teve consequências negativas, acabou dando o pontapé inicial para muitas empresas começaram a procurar o seguro cibernético, conforme explica Odair. “As empresas acordaram e viram o risco eminente, já as seguradoras viram um mercado promissor no Brasil. Foi a partir daí que o seguro realmente começou a ser buscado. Nós que já vínhamos com a idéia de ter algo diferente no mercado, criamos a Seguros Online BR. Pesquisamos e vimos que as perdas financeiras causadas por ataques chegaram a R$ 2 trilhões de dólares. A cada minuto são criados 45 novos vírus, 200 novos websites maliciosos e 5 mil versões de malwares. Com isso, principalmente as pequenas e médias empresas são afetadas por todo esse cenário negativo”, explica o diretor da empresa Odair Júnior.

$ 0 Trilhões de dólares
Perdas financeiras no mundo
R$ 0 Bilhões de reais
Perdas financeiras no Brasil
0 Novos vírus
Por minuto
0
Novos sites maliciosos
3000 Novos malwares
Por segundo

Quem contrata um seguro cibernético?

O empresário Odair confirma que a demanda de seguros para pessoas físicas ainda é ínfima, e os serviços se concentram realmente em empresas. E como no fechamento de qualquer contrato de seguros, faz-se necessário a checagem de alguns dados do cliente. Se na apólice de um veículo fatores como idade, tempo de habilitação, modelo e ano do automóvel, são levados em consideração, o mesmo acontece com o seguro cibernético, porém, os critérios são os seguintes: a forma como a empresa armazena os dados, se ela possui um plano de continuação do negócio e se os funcionários têm treinamento para lidar com sistemas de informação. A partir destes aspectos, o valor do seguro é estabelecido.

Ataques virtuais são a principal causa de perda de dados pelas empresas (Foto: Luís Eduardo)

Sinistros variados

Antes de descobrir quais ataques podem acometer uma empresa ou até mesmo o seu computador pessoal, é preciso entender como funciona a segurança cibernética. Para desenvolver bem a segurança de um sistema são necessários quatro passos: reconhecimento, análise, adaptação e execução. Primeiro, o programa invasor é reconhecido, em seguida, o software de segurança analisa qual o efeito do vírus e detecta a melhor forma de combatê-lo; depois o sistema se adapta ao ataque do malware, criando uma espécie de “novo molde” de funcionamento. Por fim, o contra-ataque é executado pelo mecanismo de defesa.

Mas como isso acontece na prática? Abaixo você confere os principais tipos de ataques virtuais. Note que eles podem causar inúmeros danos aos dados e sistemas dos usuários, e por este motivo, a necessidade de apólices torna-se tão essencial, visto que nossos dados estão cada dia mais vulneráveis à ação de hackers. Todos estes sinistros são cobertos pelo seguro cibernético.

Além disso, o seguro cibernético cobre outros tipos de sinistros, como funcionários que roubam dados para extorquir a empresa ou até de invasores ‘bagunceiros’, que apenas apagam dados sem fins lucrativos.

Estes são alguns tipos comuns de ataques virtuais, todavia, os hackers estão cada dia mais sofisticados e suas ações não se restringem à computadores pessoais. Muitos bancos e grandes empresas estão investindo cada dia mais em segurança cibernética para evitar que seus dados sejam atacados. Para tanto, toda precaução é necessária. Da mesma forma que o usuário de um carro realiza um seguro em seu veículo temendo um acidente de trânsito, grandes empresários vêm buscando o seguro cibernético para se proteger de eventuais ataques.

Lei de Proteção de Dados

No mês de agosto deste ano, o presidente Michel Temer sancionou, com vetos, a Lei 13.709/2018, que regulamento o marco legal para proteção de dados pessoais. De forma prática, a lei estabelece que as empresas públicas e privadas tenham mais transparência na utilização dos dados pessoais dos usuários e clientes. Desta maneira, muitas entidades vão precisar adequar seus sistemas de informação às novas regulamentações.

Um dos pontos da Lei 13.709 trata justamente da proteção dos dados pessoais por parte das empresas. As instituições precisarão adotar medidas para salvaguardar as informações dos usuários e clientes. Os danos ou perdas desses dados podem gerar multas de até R$ 50 milhões. Com isso, muitas empresas devem buscar o serviço de seguros cibernéticos.

Para Odair, diretor da Seguros Online BR, o cenário é promissor e projeta um 2019 onde várias empresas vão optar pelas apólices para proteger e administrar seus dados. “O que estamos sentindo é uma grande especulação do produto, por ser muito novo, as empresas querem conhecer e colocar em seu orçamento para a contratação no próximo ano. Nós acreditamos que o grande avanço será em 2019, devido a aprovação da Lei 13.709”, disse.

Lei de Proteção de Dados foi aprovada pelo Senado Federal (Foto: Divulgação)

Ambiente nefasto, segurança necessária

As novas tecnologias trouxeram muitas possibilidades a todas as pessoas. As distâncias foram encurtadas, a informação tornou-se democrática, a inclusão digital proporcionou a descoberta de novos horizontes, mas como no ambiente real, há quem queira usar esse espaço para fazer o mal.

Os invasores e hackers utilizam o ciberespaço para agir criminalmente em benefício próprio e em malefício da população. Diante desse cenário, faz-se necessária a segurança. Se na vida real nós nos protegemos com seguros das mais diversas modalidades, no ecossistema virtual a dinâmica não é diferente. Para tanto, o seguro cibernético se destaca como um novo recurso que promete tornar mais tranquilo e seguro o compartilhamento de dados e principalmente a utilização dos sistemas de informação para desenvolvimento econômico do nosso país. Portanto, podemos dizer que o seguro cibernético deve contribuir diretamente para o impulsionamento da economia brasileira.

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