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Eu e o gênio

Quem nunca sonhou encontrar uma lâmpada mágica, de onde sairá um vaporoso gênio, programado para a concessão de três pedidos?

A fábula oriental das 1001 noites povoa os sonhos de crianças. E de adultos como eu.

Imagino a cena:

Vaporizando diante do seu amo (no caso, eu), o gênio solta a clássica assertiva:

– Você tem direito a apenas um pedido!

– Não eram três? – cobro.

– Eram. Mas sabe como é… A crise mundial também chegou à minha lâmpada. Tenho que economizar na mágica e, você, no pedido.

Forçado a ser modesto, recapitulo minhas prioridades. Reviso a lista. E depois de me despedir dos apegos acumulados em minhas fantasias, me vejo obrigado a praticar o altruísmo.

Sim, vou estar contido no pedido – mas por tabela. Não de forma exclusiva.

Pois em nome de minha patriótica brasilidade, o gênio teria que operar uma mágica mais complexa do que saúde e fortuna para os Cavalcanti Ribeiro…

Ele teria que consertar o Brasil.

E eu, que depois de tanto imaginar a cena não tenho direito de errar, respondo de pronto:

– Quero uma série de medidas que possam dar expectativa de melhora ao meu País; quero, enfim, um Brasil próspero e dinâmico. O meu pedido é: quero um Brasil competitivo!

Depois do esperado “seu desejo é uma ordem” e os blá blá blás de praxe, efeitos especiais de mágica e etc e tal, o gênio volta para a lâmpada e eu – claro – para o Brasil.

Um Brasil exemplo para o mundo em um capítulo especial: a geração de empregos.

Sim, meu pedido seria cem por cento focado na empregabilidade.

E explico porque:

Este é – hoje e sempre – um dos nossos maiores problemas.

Atualmente, um problemão que atinge nada mais nada menos que onze milhões de brasileiros.

E o desemprego deságua em uma série de desastres sociais – o principal deles, a fome.

Não somente a fome do desempregado. Mas a inanição de toda a sua família, o que é infinitamente pior e mais doloroso.

Nada tem potencial de desolar mais uma pessoa do que não ter o que ter para dar aos seus.

E a fome é má conselheira.

Para além dos dramas particulares, o desemprego é termômetro – dos mais efetivos – do humor da economia.

Uma economia pujante emprega; um País economicamente deprimido, demite.

A leitura do gráfico ascendente dos índices de desemprego mostra, de forma cristalina, que o Brasil se tornou uma nação não competitiva, enquanto setores da sociedade se apegam a barreiras preconceituosas e ideológicas que travam e inibem a geração de ocupações no mercado formal (e até mesmo no informal).

Como demonizar a terceirização?

Como torcer a cara para a privatização?

Como, enfim, jogar no lixo de nossa mediocridade qualquer medida com potencial para dinamizar o potencial de geração de trabalho neste Brasil de desempregados?

Todas as possibilidades podem – e devem – ser abraçadas.

Ou continuaremos sonhando acordados, por 1001 noites infinitas, enquanto o desemprego mina a produtividade do País e coloca, de joelhos, pais e mães dessa grande família Brasil.

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