O Senado Federal esteve presente na minha vida por 16 longos anos – primeiro como suplente de Ronaldo Cunha Lima, depois na suplência de José Maranhão e, por fim, na titularidade do mandato por dois anos e meio.
Ao longo desse período, a mais alta corte legislativa do País me proporcionou uma espécie de pós-graduação de vida. E sou muito grato por tudo o que vivi, e aprendi, no meu tempo sobre os tapetes azuis.
Apesar da escolha pelo afastamento da vida pública – que alguns chegaram a julgar prematura – posso dizer que experimentei em alta voltagem e de forma pedagógica (sendo aluno aplicado e observador) as experiências acumuladas no Senado Federal.
Foi realmente um episódio marcante em minha vida – período em que dei tudo de mim, dentro das minhas limitações, para fazer o melhor pela Paraíba e por nosso Brasil.
Esse tempo passou. E passou rápido. Há mais de cinco anos voltei ao meu habitat natural, à planície econômico-empresarial.
Ficou, contudo, o aprendizado. E o interesse, reforçado, na observação do cenário político e na manutenção da conexão com o conjunto do pensamento do povo.
E, cá pra nós, o povo não faz segredo sobre o que pensa dos seus representantes. Descrença e decepção são sentimentos praticamente generalizados em relação à classe política.
Mas quem, em sã consciência, poderá realmente se arvorar a dizer que a sensação é ilegítima?
A cama em que deitam é proporcional à fama que acumulam.
Vez por outra, contudo, ocorrem sinalizações promissoras. Nestes momentos, esta classe levanta do leito, desocupa a vala comum e oferece algum refrigério capaz de estancar nossas frustrações.
Acabo de testemunhar este momento.
Ao longo da maratona do processo de admissibilidade do impeachment no Senado Federal, vimos uma representação mais qualificada e altiva.
Dou este testemunho porque acompanhei atento o que se desenrolou na minha antiga casa. Por quase 24 horas, meus olhos se voltaram para a sessão histórica.
E o que vi e ouvi foi alentador. Descontando alguns excessos e exageros (inerentes às condições de temperatura e pressão do momento), nossos senadores nos gratificaram com o nível elevado de seus pronunciamentos.
Do primeiro ao último voto, o Senado Federal apresentou qualidade diferenciada, digna de representar a nação.
Confesso: fiquei envaidecido.
Ainda que o Senado esteja no tempo pretérito em minha vida, o orgulho está muito presente por, um dia, ter estado ali.