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EUA devem suspender ajuda militar a países europeus vizinhos da Rússia; entenda

Decisão ocorre em meio às tentativas do presidente Donald Trump de mediar o fim da invasão russa na Ucrânia, que já dura três anos e meio
(Marek Studzinski/Unsplash)

Os Estados Unidos planejam suspender a assistência militar a países europeus próximos à Rússia, como Lituânia, Letônia e Estônia, em um movimento que pressiona a Europa a assumir maior responsabilidade por sua própria defesa.

A decisão, confirmada por autoridades da Lituânia e relatada por agências de notícias, ocorre em meio às tentativas do presidente Donald Trump de mediar o fim da invasão russa na Ucrânia, que já dura três anos e meio.

Segundo a agência de notícias France-Presse (AFP), o Ministério da Defesa da Lituânia informou que o Departamento de Defesa dos EUA comunicou, na semana passada, que o financiamento será reduzido a zero a partir do próximo exercício financeiro.

“Os cortes afetariam a compra de armas e equipamentos americanos, além de treinamentos, mas não a presença de tropas dos EUA na região, que é financiada por outra alocação orçamentária”, declarou Vaidotas Urbelis, diretor de política de defesa da Lituânia, em entrevista à imprensa.

Ele confirmou informações publicadas pelos jornais The Washington Post, dos EUA, e Financial Times, do Reino Unido, que estimaram cortes de centenas de milhões de dólares.

Confusão entre líderes

A agência Associated Press (AP) disse na sexta-feira (5) que a decisão gerou confusão, já que alguns líderes de defesa dos países bálticos afirmam não terem recebido nenhuma notificação oficial por parte do governo norte-americano.

O Ministério da Defesa da Letônia, por exemplo, informou que, até então, não houve comunicação formal sobre os cortes e que manterá discussões com os EUA para esclarecer a situação.

Já o Ministério da Defesa da Estônia reconheceu a intenção do governo Trump de reduzir a ajuda externa, mas afirmou que a assistência norte-americana representa uma proporção cada vez menor do orçamento de defesa do país, devido ao aumento dos gastos próprios.

Os cortes afetariam programas como a Iniciativa de Segurança do Báltico e a Seção 333 do Departamento de Defesa, que financiam treinamento, compra de armas norte-americanas, munições e suporte de inteligência para países do flanco oriental da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

De acordo com a AP, a Iniciativa de Segurança do Báltico destinou cerca de US$ 377 milhões para a Europa entre 2018 e 2024. Já a Seção 333 forneceu quase US$ 1,6 bilhão no mesmo período, segundo o Escritório de Prestação de Contas do Governo dos EUA.

O financiamento do Departamento de Estado para os países bálticos, que chega a cerca de US$ 7 bilhões anuais, não foi afetado até o momento, de acordo com as agências.

Pressão sobre a Europa

A decisão ocorre em consonância à postura de Trump, que há anos critica os gastos militares dos EUA na Europa e a ajuda à Ucrânia, pressionando aliados da Otan a aumentarem seus próprios orçamentos de defesa.

Um funcionário da Casa Branca, sob anonimato, afirmou à AP que a medida foi coordenada com países europeus e faz parte do plano de Trump para que a Europa assuma mais responsabilidade por sua segurança.

A reação entre aliados e legisladores norte-americanos foi de preocupação, segundo a AP. O ex-ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Gabrielius Landsbergis, alertou que os cortes podem enfraquecer a dissuasão da Otan contra a Rússia.

O ministro da Defesa da Estônia, Hanno Pevkur, classificou a medida como “simbolicamente negativa” em entrevista ao jornal local Postimees.

Nos EUA, o deputado republicano Don Bacon chamou a decisão de “desastrosa e vergonhosa” nas redes sociais, enquanto a senadora democrata Jeanne Shaheen afirmou que a medida envia um sinal errado em meio às negociações para conter a agressão russa.

Os países bálticos – Lituânia, Letônia e Estônia – e a Polônia estão entre os membros da Otan que mais investem em defesa. Todos se comprometeram a gastar 5% de seus PIBs a partir de 2026.

O Pentágono confirmou que revisou os programas de assistência estrangeira sob ordens de Trump, mas os detalhes sobre quais iniciativas serão afetadas ainda não foram totalmente esclarecidos, segundo as agências.

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