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EUA reafirmam o que foi adiantado primeiro por médica da PB sobre zika e microcefalia

Um estudo dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), principal órgão de pesquisa do governo norte-americano, publicado nessa quarta-feira (13), concluiu o que a médica do Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea), de Campina Grande, Adriana Melo, já havia confirmado desde novembro do ano passado: o vírus da zika causa a microcefalia e outras atrofias cerebrais graves. A pesquisa não traz novas evidências e reafirma as hipóteses levantadas pela pesquisadora de Campina, que vem alertando para a gravidade dos danos causados pelo vírus.

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As inquietações da médica Adriana Melo com os novos padrões de microcefalia que estavam surgindo no Nordeste começaram em meados de setembro de 2015. Quando o surto de microcefalia começou a ganhar notoriedade na imprensa nacional, a pesquisadora já havia iniciado um estudo para tentar estabelecer a causa das malformações nos bebês. Partiu dela a iniciativa de coletar o líquido amniótico de duas gestantes da Paraíba e enviar para a Fiocruz, no Rio de Janeiro. Na época, ela já liderava um grupo de gerenciamento de crise, criado pela Prefeitura de Campina Grande, em outubro de 2015, para acompanhar a evolução dos casos.

No mesmo dia em que a médica anunciou o resultado da pesquisa feita com o líquido amniótico das gestantes, estabelecendo, de forma inédita, a relação da microcefalia com o Zika, o Ministério da Saúde decretou estado de emergência em saúde pública no país. A partir daquele momento os olhares da imprensa mundial se voltaram para Campina Grande, destacando tanto o pioneirismo de Adriana Melo, como também as estratégias adotadas pelo prefeito Romero Rodrigues para garantir a assistência às gestantes com sintomas de zika e aos bebês com microcefalia.

Ainda intrigada com a severidade dos danos causados pelo zika nos cérebros dos bebês, Adriana Melo também foi uma das primeiras pesquisadoras a alertar que o vírus estaria provocando danos além da microcefalia, como alterações musculares e articulares, doença popularmente conhecida como artogripose. Em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela conseguiu ainda identificar a presença do zika em tecidos cerebrais. O resultado dessa pesquisa com tecidos cerebrais saiu em fevereiro deste ano. Graças às contribuições dos estudos, as malformações cerebrais provocados pelo vírus agora são tratados como síndrome da zika congênita.

Perfil

Nascida no município do Crato, estado do Ceará, Adriana Melo, é médica concursada do Isea e se especializou em ultrassonografia e medicina fetal. Com dois doutorados e um pós-doutorado, ela também é presidente do Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (Ipesq). Mesmo com o pioneirismo nos estudos sobre a síndrome da zika congênita, a pesquisadora agora vive um novo desafio: conseguir incentivos para ampliar as pesquisas sobre o tema. Atualmente, ela recebe uma bolsa de estudos da Prefeitura de Campina Grande, que também financia exames de imagens, como tomografia e ressonância magnética, que ajudam no diagnóstico dos bebês com alterações no cérebro.

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