O Ministério da Justiça já iniciou o processo para pedir ao governo italiano a extradição do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado na Ação Penal 470, do mensalão. No final da tarde de quinta-feira, o ministério protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um aviso da abertura do processo.
Segundo nota divulgada ontem pelo ministério, o objetivo da iniciativa é dar ciência ao Supremo da abertura do prazo de 40 dias para que a Corte “manifeste interesse na instalação da extradição e encaminhe os documentos necessários” para formalização do pedido ao governo da Itália.
Considerado foragido desde novembro do ano passado, Pizzolato foi preso pela polícia Italiana na quarta-feira em Maranello. Ele fugiu para a Itália em setembro do ano passado e teve o nome incluído na lista de procurados pela Interpol, a polícia internacional, em mais de 190 países.
A Justiça italiana negou ontem o pedido de Henrique Pizzolato de aguardar em liberdade a decisão sobre a sua extradição para o Brasil. Antes dessa decisão, em uma audiência realizada na manhã de ontem, em Bolonha (Itália), Pizzolato informou ao juiz que não pretende voltar ao Brasil.
O fato de Pizzolato ter entrado em território italiano portando documentos falsos, o que pode lhe render uma pena de até 3 anos, pesou na decisão do juiz. A defesa do ex-diretor do Banco do Brasil tinha alegado que não havia risco de fuga.
Ex-diretor pede à Corte para ficar
Bolonha (Folhapress) – Ao declarar perante uma corte italiana que não quer ser extraditado para o Brasil, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato disse ontem que sua condenação no esquema do mensalão foi resultado de um “processo político”.
“Pizzolato explicou as razões pelas quais ele veio do Brasil. Segundo ele, seu processo não foi administrado de uma maneira correta e que foi um processo político”, disse o advogado Lorenzo Bergami, que o defende. “Ele disse que não cometeu [os crimes pelos quais foi condenado]”, prosseguiu o defensor.
No Brasil, o STF (Supremo Tribunal Federal) condenou Pizzolato a 12 anos e 7 meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato (desvio de dinheiro público). Segundo o STF, Pizzolato autorizou, em 2003 e 2004, o repasse de R$ 73,8 milhões que o Banco do Brasil tinha no fundo Visanet para uma agência de propaganda do empresário Marcos Valério que tinha contrato com o BB e foi usada para distribuir dinheiro do mensalão a políticos. Pizzolato recebeu R$ 336 mil do esquema.
A imprensa não teve acesso à audiência desta sexta na Corte de Apelação de Bolonha (norte da Itália), instância onde tramitará a ação que visa extraditá-lo para o cumprimento da pena decidida pelo STF.
O objetivo foi a identificação formal de Pizzolato, preso desde a quarta-feira em cumprimento a um mandado de captura internacional após sua fuga, no ano passado. Depois, a juíza analisou e negou um pedido da defesa para que o ex-diretor do BB respondesse o pedido de extradição em liberdade. Ele permanecerá preso em Modena, no norte da Itália.
Segundo o advogado Bergami, Pizzolato não falou sobre os documentos falsos usados na fuga para a Europa porque a audiência se destinava a discutir exclusivamente a ação que deverá ser instaurada, após pedido oficial do governo brasileiro, para a extradição.
Antes da audiência, a mulher de Pizzolato, Andrea Eunice Haas, se encontrou com o advogado do ex-diretor do BB, em seu escritório no centro de Modena, no norte da Itália. Na saída, Andrea disse à Folha de S.Paulo que não falaria com a imprensa brasileira, só a italiana. “Não vou falar com a imprensa brasileira. Só a Italiana”. A reportagem insistiu e ela disse “inventem o que quiser, vocês sempre fazem isso”.