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Falta de fiscalização e imprudência ameaçam piscinas naturais e moreias na PB

A beleza do Litoral paraibano é motivo de orgulho para quem é do estado e de encantamento para turistas. Entre as paisagens que mais chamam a atenção estão as piscinas naturais da Praia Ponta do Seixas, na Zona Sul de João Pessoa. Mar calmo, águas cristalinas e contato com animais são alguns dos principais atrativos. Essa aproximação da natureza, no entanto, exige cuidados. É capaz de uma eventual imprudência do visitante assustar espécies de peixes, que, em ato de defesa, podem acabar ferindo alguém.

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Ao Portal Correio, um condutor de um barco de passeio contou que a equipe é orientada a não alertar clientes sobre riscos. Ele, que preferiu não ser identificado na matéria, cita como exemplo as moreias, peixes com formas física e de locomoção similares a de uma serpente. Um possível ataque desses bichos preocupa o profissional.“Alguém pode se machucar se não respeitar o espaço das moreias. E nós [responsáveis pelos passeios náuticos] somos orientados a não dizer nada aos visitantes para não assustá-los”, diz.

O biólogo e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Ricardo Rosas, pondera: “As moreias são animais de hábito noturno. Durante o dia, que é quando acontecem esses passeios, elas ficam entocadas próximas aos corais. Então não oferecem risco, a não ser que alguém vá mexer nas tocas delas. Aí sim, pode haver uma reação do animal. Mas mesmo que houvessem casos esporádicos, certamente o ferimento causado seria leve porque o aparelho bucal das moreias é eficiente só no ataque a presas pequenas. Ou seja, não há motivo para pânico, mas é importante respeitar o habitat da espécie”, diz o especialista em peixes.

O engenheiro civil Douglas Martins visitou as piscinas naturais do Seixas e recorda que recebeu poucas orientações antes de entrar na água. “Me disseram que não era para pisar nos corais, pois eu poderia me machucar ou destruir o habitat dos animais, mas não deram detalhes. Se o pessoal tivesse mencionado risco de ataque ou algo do tipo, com certeza eu ficaria mais receoso, mas isso não me impediria de continuar o passeio”, conta.

“O que eu achei pior foi não haver orientações quanto à poluição. No dia que fui, tinha gente com latinha de cerveja na água. Achei um desrespeito, embora todos tivessem jogado as embalagens no lixo depois. As pessoas daquele dia eram educadas, mas e as que visitam o local em outras datas? Vejo essa falta de regras como primeiro passo para um descontrole na preservação das piscinas”, completa o engenheiro civil.

O biólogo Ricardo Rosas concorda que a omissão de explicações e de normas de conduta são perigosas. “As pessoas precisam saber o que vão encontrar. Podem haver problemas graves com águas-vivas, por exemplo. Então o ideal seria a realização de um estudo completo da fauna do local e a elaboração de uma cartilha para visitantes. É prudente que haja uma orientação completa”, ressalta. 

Procurado pelo Portal Correio, o chefe de gabinete do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ediberto Farias, disse que já é discutido um plano de ações de fiscalização e preservação da piscinas naturais do Seixas. Segundo ele, o assunto é analisado em parceria com a Polícia Ambiental.

“Nós não temos embarcação, então a parceria com a Polícia Ambiental será fundamental, pois ela possui. Já realizamos uma reunião e em breve devemos voltar a nos reunir para discutir um projeto de ações. Entendemos e concordamos que deve haver um controle efetivo da área. E, inclusive, devemos solicitar apoio da Sudema, que é um órgão de fiscalização estadual, e da Semam de João Pessoa para as nossas próximas reuniões”, informou Ediberto Farias. 

A Secretaria do Meio Ambiente (Semam) disse que atualmente não acompanha a situação nas piscinas do Seixas devido à falta de amparo legal. “Nós poderíamos até realizar fiscalizações, mas, como o Seixas não é uma Área de Proteção Ambiental ou Unidade de Conservação Ambiental, nós não poderíamos punir quem fosse flagrado em conduta irregular”, informa o chefe de fiscalização do órgão, Allison Cavalcanti.

Localizada a apenas 500 metros da costa da praia Ponta do Seixas, as piscinas naturais possuem o maior banco de corais do litoral paraibano. O ambiente é perfeito para praticar mergulho livre. As embarcações oferecem serviço de bar, visão panorâmica e banheiros. O horário de saída para o passeio depende da maré e dura, aproximadamente, duas horas e trinta minutos. Pesquisa divulgada recentemente pelo Procon-PB mostrou a variação de preços cobrados pelo passeio, acesse aqui.

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