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Falta de vis

Em recente viagem a Escandinávia me deparei com essa obra fantástica, incrustada no coração de Estocolmo. Trata-se de um complexo de rampas, ruas e interseções distribuídos por vários pavimentos para atender a demanda de tráfego no centro da cidade.

E dou meu testemunho de que, pessoalmente, o conjunto arquitetônico é surpreendente.

Surpresa maior, porém, teria mais adiante ao ver a reprodução dessa imagem nas galerias do famoso museu Moderna Museet, também em Estocolmo.

Eu havia acabado de passar pelo viaduto e descobria, ato contínuo, que ele era uma peça de museu?

E foi aí que, escrutinando dados e fatos, tomei conhecimento de que a obra faz parte da história da cidade porque foi entregue aos suecos – pasme – em 1931. Há mais de 85 anos!

Certamente, naquela época, a frota de Estocolmo era uma fração módica da atual. Nem mesmo a indústria automobilística tinha, oito décadas atrás, ritmo produtivo que sinalizasse a demanda contemporânea de mobilidade urbana, em qualquer parte do mundo.

Aqui na Paraíba, por exemplo, estávamos em plena Revolução de 30, andando de bonde. Ou nos lombos dos cavalos. Pouquíssimos carros e micro caminhões circulavam pelas ruas.

Nem imaginávamos o que vinha pela frente.

Os escandinavos sim. Eles se prepararam para o futuro. Farejaram, com décadas de antecedência, os problemas de mobilidade urbana que estaríamos enfrentando nos dias atuais.

Os suecos mostram, nas ruas de sua capital e em seus museus, a visão de uma cidade verdadeiramente moderna – e desenham, mesmo sem pretensão, um triste contraste com a realidade brasileira.

Eu mesmo confesso não ter o talento de projetar obra viária que estaria atual e funcional daqui a oitenta anos. E, ao que tudo indica, somos muitos Brasil afora com essa deficiência.

O que vejo, andando pelas ruas do País, é na verdade uma involução.

Na Paraíba temos exemplos disso. Quando cheguei aqui, há mais de 40 anos, encontrei o trevo da cidade universitária. E, quatro décadas depois, ainda é a melhor obra do gênero construída na Capital.

Nada melhor foi inserido na nossa malha viária.

E isso é prova inconteste que nosso mal (talvez o maior deles) é a incapacidade de enxergar o futuro.

Nossas obras de mobilidade já nascem saturadas – feitas tão somente para desengarrafar os gargalos nossos do dia a dia.

Não enxergamos uma esquina adiante.

E, em marcha lenta, estacionamos no imediatismo.

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