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Fifa ergue estrutura para emissoras de TV com investimento p?blico de R$ 3,8 milh?es

Quem está acostumado a transitar pelo Posto 6 em Copacabana convive agora com um intruso na paisagem. Uma enorme estrutura está sendo erguida para abrigar um complexo com dez estúdios de televisão. Dali, emissoras estrangeiras poderão gravar seus programas aproveitando o cenário da mais famosa praia da cidade. A Rio Eventos, empresa pública da Prefeitura do Rio de Janeiro, está investindo R$ 3,8 milhões na estrutura temporária que será administrada pela Fifa. Por sua vez, a entidade máxima do futebol não esclareceu se irá desembolsará algum recurso adicional e também se haverá cobrança das emissoras que ali se instalarem.

O presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horário Magalhães critica a iniciativa. Em sua opinião, a estrutura deixa a paisagem mais feia. “É uma contradição, porque o discurso é de oferecer a beleza natural da praia como cenário para as imagens que vão rodar o mundo. Mas os turistas que vierem aqui estarão privados da completa vista de Copacabana”, alega.

A assessoria de comunicação da Fifa também não divulgou quais redes de televisão usufruirão do espaço. A BeIN Sports, canal esportivo do grupo Al Jazira, deve ser uma delas, pois parte de sua equipe estará hospedada no hotel Sofitel, em frente ao local. Já a ESPN Internacional apostou numa estrutura própria próxima dali, no Clube dos Marimbás, onde também terá a vista de Copacabana.

A omissão de informações por parte da Fifa é criticada por Pedro Trengrouse, professor de direito da Fundação Getúlio Vargas e consultor da ONU para Copa. Para ele, o governo tem o dever de cobrar da Fifa todos os esclarecimentos. Na avaliação do professor, a entidade deveria explicar, por exemplo, se vai alugar esses espaços para as emissoras, se vai lucrar em cima do dinheiro público e se esse recurso já tem alguma destinação específica. É possível que a utilização do espaço privilegiado tenha sido negociado em particular com cada emissora durante a comercialização dos direitos de transmissão do evento esportivo. A venda desses direitos irão render à Fifa cerca de US$ 2,2 bilhões.

Stand Up Paddle

As barraquinhas de Stand Up Paddle também correram o risco de sumir do cenário do Posto 6. De origem havaiana, o esporte consiste em remar de pé em cima de uma prancha e está se tornando cada vez mais popular no mundo, ganhando adeptos também no Rio de Janeiro.

Na semana passada, agentes da Secretaria de Estado de Ordem Pública do Governo do Rio (Seop) estiveram no local e pediram que os responsáveis pela atividade retirassem os pertences até o último sábado devido à construção da estrutura para os estúdios de TV. A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Seop que disse desconhecer a ação.

Nesta quarta, os responsáveis pelas barraquinhas de Stand Up Paddle esclareceram que o imbróglio foi resolvido. Eles foram avisados pela Seop de que os agentes que estiveram no local tomaram a iniciativa sem o conhecimento do secretário Leandro Matieli Gonçalves, que prontamente os desautorizou.

Polêmica

A polêmica com as estruturas temporárias para a Copa não é nova. Em outubro do ano passado, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) ingressou com uma Ação Civil Pública exigindo da Fifa e do Comitê Organizador Local o ressarcimento de R$ 33,6 milhões referente aos gastos efetuados pelo poder público em instalações temporárias erguidas para a Copa das Confederações. Não há previsão para conclusão do processo. Segundo a assessoria de imprensa do MPRJ, os réus deverão apresentar a defesa em uma próxima audiência.

Na ação, os promotores Flávio Bonazza de Assis e Patrícia do Couto defendem que a Fifa agiu de forma ilegal. Três meses antes do anúncio das cidades-sedes escolhidas, a entidade exigiu dos estados a assinatura de um aditivo ao Contrato de Estádio onde constam o custeio destas estruturas. Não houve especificação de valores e nem um dimensionamento do impacto financeiro. Os governos estaduais assinaram por pressão, temendo ficarem de fora da lista das cidades-sedes. Para os dois promotores, esses gastos não são de interesse público e nem deixam legado à população.

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