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Financiamento de veículos está parado há cinco dias em JP; prejuízo chega a R$ 1 milhão

O comércio de revendas de carros novos e usados está parado na Paraíba. O consumidor que quiser comprar um carro desde segunda-feira só leva o produto se pagar à vista, pois todo o setor de financiamento está apenas segurando a documentação mas não conclui a venda. O prejuízo diário, segundo o Sindicato do Comércio de Veículos Seminovos (Sinvep) de João Pessoa, é superior a R$ 200 mil, já que desde segunda-feira nenhum contrato de venda de veículos foi fechado, apenas agendado. Na semana, esse prejuízo pode chegar a R$ 1 milhão.

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A paralisação na venda de veículos começou, segundo o setor, após a troca da empresa que libera o Sistema Nacional de Gravames (SNG), necessário para ser utilizado como garantia quando o automóvel não foi todo quitado. Por determinação do Detran da Paraíba, a Cetip, empresa que prestava o serviço, foi substituída.

Com a recusa da troca, segundo os revendedores de carros, o documento do gravame deixou de ser liberado, o que impede a conclusão da compra por meio de financiamento, assim como o próprio emplacamento de veículo. Há um temor que, por recém ter sido constituída, a nova empresa não dê conta da demanda e prejudique revendedoras e consumidores.

Enilson Sales, conselheiro da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), disse que o setor já começa a ser prejudicado, pois isso irá dificultar a venda de veículos.

A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) foi notificada pelo Detran-PB da substituição da Cetip por uma cooperação técnica com o Instituto Brasil Cidade/Bunkerteck, afirmando que não haverá perda para os clientes paraibanos que precisarem comprar um carro financiado, apesar da alegação feita que as instituições financeiras poderão negar o serviço.

Sem comunicação

A Cetip, através de sua assessoria, afirmou que não foi consultada pelo Detran-PB para a mudança e que teme que a medida adotada pelo órgão seja prejudicial ao próprio Governo do Estado, já que com os financiamentos parados, não há arrecadação de ICMS sobre os veículos parcelados, justamente em um período quando se espera uma retomada do crescimento nas vendas em virtude do fim do ano e 13º salário, já que é algo corriqueiro.

De acordo com a assessoria, são cerca de 300 veículos leves negociados por semana, em um valor mínimo de R$ 40 mil, com 18% destinados ao pagamento de ICMS (R$ 7,2 mil), o que totalizaria um valor de R$ 2,1 milhões por semana.

A empresa se defende das acusações de monopólio, afirmando que foi criada há 30 anos por necessidade do Governo Federal e instituições financeiras justamente para ter uma base de dados integrada nacionalmente, evitando assim fraudes, o que era comum antes do sistema de gravames.

Sistema de crédito

O superintendente do Detran-PB, Agamenon Vieira, se reuniu ontem, na sede do órgão, em João Pessoa, com o gerente de Relacionamento do Sicredi, Erasmo Carlos dos Santos, que aderiu ao novo sistema de registro de gravame na Paraíba, o SISGRAV. A empresa representa o maior sistema de cooperativas de crédito do País e tem seis pontos de atendimento somente em João Pessoa, entre outros distribuídos pelo Estado.

Outras oito instituições já realizaram seus cadastros junto ao novo sistema e estão prontas para operar. Ao todo, em pouco mais de 24 horas, já foram realizadas mais de 10 mil consultas de status no SISGRAV e quase 200 procedimentos de confirmação, atualização ou impressão de documentos com gravame.

O chefe da Assessoria Jurídica do Detran, José Serpa, frisou que, ainda em 2015, o Detran-PB buscou a Cetip para renovação do contrato, mas a empresa não apresentou proposta comercial que se adequasse à legislação estadual.

As instituições financeiras e/ou credoras que ainda não regularizaram seus cadastros junto à Bunkertech podem tratar da adesão e integração do novo sistema, no telefone (11) 98486- 0380.

Vendas são 80% parceladas

O empresário Joseirton Medeiros, proprietário do Shopping dos Automóveis, em João Pessoa, afirmou que 80% das vendas do estabelecimento são referentes a veículos financiados. “Não deixamos de vender, mas de concluir as negociações. Estamos aguardando uma posição dos bancos porque, segundo informações que temos de gerentes, não há nenhum entendimento. Ao mesmo tempo, em contato com diretores do Detran, eles dizem que a empresa já está disponível para implantar o gravame, mas, pelo meu entender, os bancos não querem aceitar a nova empresa. A gente fica entre a cruz e espada esperando uma posição deles”, lamentou.

Além disso, ainda há a pressão exercida pelos clientes. “Todos os dias a cobrança em cima dos lojistas é grande porque estamos parados. Os bancos aprovam o crédito, mas não repassam o dinheiro e o que precisamos é que se resolva logo. O mais importante para quem vive de comércio é o dinheiro e estamos prejudicados porque não estamos recebendo. Ficamos de braços cruzados esperando”, desabafou.

Um operador de financiamento de veículos, que preferiu não se identificar, revelou que teme que a Paraíba fique isolada dos demais estados por causa dessa troca de empresas. “Os bancos querem uma garantia de que a nova empresa que vai gerenciar os gravames é séria”, comentou.

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