Os americanos contabilizam seus orçamentos (quanto ganham, quanto gastam) numa perspectiva diferente da nossa. Lá, o cálculo é anual.
Pergunte a um americano quanto ele ganha que a resposta virá de pronto: xis dólares ano! Nesta soma estão incluídos sua remuneração anual dólar/horas trabalhadas, mais projeções dos acréscimos de horas extras e bonificações.
Caso queira saber o que isto significa por mês, eles serão obrigados a refazer a conta.
O cálculo brasileiro é mais imediatista. Tudo se resume ao mês. O ganho é mensal. Os gastos idem.
Não quero reforçar nossa baixa autoestima em relação aos americanos, mas sou obrigado a admitir que nossas contas têm furos.
Onde está o erro?
No um doze avos.
No fracionamento que não nos permite enxergar o todo.
Quando computamos o orçamento, prevendo os ganhos e gastos ao longo do ano, vemos com mais amplitude nossas reais receitas e, principalmente, os ralos por onde escorrem nosso dinheiro.
Experimente fazer o exercício americano. Abandone a doutrina de um doze avos.
Eu fiz. E tomei um grande susto.
Você sabe, por exemplo, quanto gasta por ano com telefone? Ou com combustível?
Sabe quanto é seu custo anual com energia elétrica, água, canais de TV? E quanto do seu orçamento é consumido com despesas de viagens, pagamentos dos salários e encargos de seus funcionários?
Ponha os números no papel e se prepare para a surpresa – e daquelas nada agradáveis.
Um dos menores gastos mensais fixos que tenho é com o piscineiro. Apenas R$ 150/mês. Parece tão pouco, quase nada. Mas em doze meses a manutenção da piscina consome, só com mão de obra, R$ 1.800,00.
É ou não é uma perspectiva diferente – e mais realista – dos gastos que costumamos julgar mínimos?
Quando você faz esta conta, o impulso natural é enxergar excessos que não nos apercebemos no dia a dia. Inevitavelmente, depuramos a lista. Cortamos ou enxugamos.
Você se vê perguntando: eu preciso mesmo ter duas assinaturas de TV a cabo? E pagar por 400 canais quando só costumo assistir uma dúzia deles?
Eu, que uso os dois lados do palito (e uso mesmo), não enxergava esses excessos.
Não vou enganar: o processo é duro de encarar. Mas de uma coisa pode ter certeza: saímos dele preparados para uma vida financeira mais saudável e realista.
Faça o exercício. Tome seu susto. E valorize seu dinheiro – essa maquiavélica invenção humana que não aceita (e jamais aceitará) ser tratada com desaforo.