O Brasil fecha esse 2015 tão tenso com perdas e ganhos – ambos em doses cavalares.
Ok, admito: foram mais perdas do que ganhos – pelo menos quando se mira
pelo calidoscópio psicodélico de Brasília. Espiando para as bandas de
lá, não há possibilidade de contabilizar saldo positivo.
A verdade – dura de aceitar – é que começamos e terminamos o ano
mergulhados em inseguranças, movidas por chantagens políticas e
contrações econômicas. Muitos perderam seus empregos; outros tantos
abortaram sonhos e investimentos; quase todos perderam renda e findam
este 2015 (que já vai tarde) mais empobrecidos.
E este dezembro – como que para não desandar o enredo do ano – também
confirma a sina, apresentando ao Brasil mais um capítulo de grandes
perdas e grandes ganhos.
Primeiro foi o ganho: semana passada, o País inaugurou o Museu do
Amanhã, um complexo futurístico assinado pelo renomado arquiteto
espanhol Santiago Calatrava, que revitalizará a zona portuária do Rio de
Janeiro.
Depois, veio o golpe: esta semana, perdemos o Museu da Língua
Portuguesa, um patrimônio nacional – incrustado na centenária Estação da
Luz, em São Paulo – que quebrou paradigmas e se transformou no
equipamento histórico mais visitado da América Latina.
Os acervos reunidos por equipe multidisciplinar viraram pó dentro de um
complexo que funcionava há dez anos sem alvará nem liberação dos
Bombeiros. Um deles, o bombeiro civil Ronaldo Pereira da Cruz, morreu no
incêndio, consumido junto com anos de história.
A tragédia em São Paulo e a ostentação do Rio – que gastou R$ 215
milhões para celebrar o futuro, mas não consegue abastecer as farmácias
dos hospitais no presente – mostram o desequilíbrio entre perdas e
ganhos no Brasil de 2015.
Mas não vamos ser mesquinhos. Mesmo que nos falte tanto hoje, o Museu do
Amanhã não é – longe disso – um equipamento natimorto ou um
esbanjamento sem sentido. E, ao longo dos seus 15 mil metros quadrados,
ainda oferece ao Brasil provocações mais do que oportunas e pertinentes
neste nosso momento republicano. Fique à vontade para respondê-las:
De onde viemos? Quem somos? Onde estamos? Para onde vamos? E, minha preferida: Como queremos ir?
Torpedo
O PMDB está um saco de pancadas que a gente não sabe nem onde vai bater.
Será o que o senador José Maranhão quiser porque o PMDB tem um dono.
Allah-la ôôôôô
O governador Ricardo Coutinho lembrou ontem que o calendário vira, mas a
crise continua em 2016. E, portanto, o Governo do Estado não financiará
carnaval de seu ninguém.
Ano novo, crise velha
Quem também lembrou hoje que no ano novo teremos a velha crise foi a
presidente Dilma Rousseff, que suspendeu férias – aquelas que os
presidentes passam na Bahia – para cuidar da economia.
A um passo da barbárie
A estiagem tem provocado uma sucessão de conflitos no interior do
Estado, com populações se estapeando por um balde d’água. Ontem, em
Areia, moradores bloquearem a estrada para evitar a saída de carros
pipas.
Adeus el Niño
Da meteorologia, uma boa notícia para o povo brigão: o fenômeno que tem
arrastado a seca no Nordeste perde força e pode favorecer as chuvas em
2016, inclusive nas áreas onde a seca é mais crítica.
Zigue-Zague
Crise, que crise? As ruas da Capital estão apinhadas de consumidores. Os
lojistas já refazem as contas, engordando as estatísticas do que seria o
Natal mais magro dos últimos anos.
Natal, que Natal? Congestionamentos de trânsito e filas nas lojas estão
extirpando o espírito natalino do pessoense. Quem ainda lembra das
mensagens do famoso aniversariante?