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Helena, Helena

“Talvez um dia, por descuido ou fantasia, Helena, Helena , Helena, nos meus braços debruçou, foi por acaso ou por um caso”. A frase inicia uma musica, que é um verdadeiro poema, do compositor e intérprete Taiguara, já falecido, autor de grandes sucessos à época dos festivais que incendiavam o País da Ditadura no final dos anos 60.

A partir daquela canção, que falava do amor de um homem por uma mulher, apaixonei-me pelo nome e pela personagem. “Talvez um dia , por desejo de poesia, Helena, Helena, Helena , talvez queira dar a mão , talvez tão tarde, até em vão , quem sabe eu tenha um rumo à vista , ou quem sabe eu nem exista”, continua o poeta em sua musica reveladora daquele sentimento .

Agora sou apresentado a Helena. Não aquela mulher intrigante e sedutora descrita pelo artista, mas a Helena que nasce com a força do seu próprio nome que, segundo a Wikipédia , significa luz e que foi protagonista de uma dos mais marcantes episódios da mitologia grega que deu origem à Guerra de Tróia.

Eu estava no corredor da maternidade Clim, na Epitácio Pessoa, quando comecei a receber pelo celular as primeiras imagens dela, ainda no centro cirúrgico, amparada pelos braços de sua mãe e do seu pai, que dividiu com ela, se não as dores, mas as emoções do parto. “Chegou Helena”, avisava a mensagem cibernética com uma sequência impressionante de fotos e detalhes do nascimento.

Sozinho naquele instante, fui tomado por uma grande emoção. De repente foi como se um filme estivesse rodando na minha cabeça exibindo a história da minha vida, as conquistas e as angústias que vivi até aqui quando me vejo um jovem sessentão, apaixonado pela vida, pai de três filhos e avô de quatro netos , frutos de uma união consistente e amadurecida com uma mulher que me acompanha há quase quatro décadas com amor e dedicação.

Desabei a chorar com a chegada de Helena. Mas me recompus, subi até o apartamento 301 da maternidade Clim, e fui conhecê-la de perto e dividir com os seus pais, Andressa e Abelardo Bezerra Jurema, meu filho do meio, a alegria daquele momento tão marcante em suas vidas.

Deus me contempla com mais essa graça. Amplia a minha responsabilidade. Renova a minha alma. Me enche com o seu Espírito Santo como a me dizer que a vida continua e que é preciso coragem e motivação para vive-la com a intensidade que ela exige das pessoas que estão aqui não apenas para servir-se dela, mas para se doar aos seus semelhantes, a semear o amor, a proclamar a paz e a promover o bem comum. Vem pra cá Helena, Helena, Helena. Eu preciso de você.

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