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Após cinco anos de vacas gordas, o governador Ricardo Coutinho terá o desafio de manter o nível da gestão em ano de vacas magras. As receitas, que perderam para a inflação em 2015 (as estuduais cresceram 3,83% e as transferências federais 5,14%, para uma inflação de 10,67%), começaram 2016 dando susto e alimentando a possibilidade de mudança no calendário de pagamentos do Estado, inclusive dos servidores.

Considerando afirmações recentes do secretário Tarcio Pessoa, de que os salários seriam os últimos afetados pela crise, pois atrasá-los impactaria toda a economia da Paraíba, a admissão de que pode haver necessidade de mudança confirma que a Paraíba não resistiu aos efeitos da política econômica da presidente Dilma Rousseff.

O governo informa que a primeira parcela do FPE (Fundo de Participação dos Estados) de 2016 foi de R$ 93 milhões, contra R$ 135 milhões em 2015, ou seja, tem menos R$ 42 milhões nos cofres do que teve no ano anterior. Por isso a possibilidade de uma nova data para pagamento da folha.

Se não for um problema temporal, exposto para reduzir a pressão dos servidores que reclamam de defasagem salarial da ordem de 30% e esperam seu aumento anual neste janeiro, sua data-base, 2016 começa com horizonte nebuloso, pois o Governo também tem prazo para fazer ajustes na folha, uma vez que ultrapassou o limite máximo da Lei de Responsabilidade Fiscal para gastos com pessoal.

O Sindifisco, que acompanha de perto as contas públicas, admite que houve uma queda nas receitas, mas que o desequilíbrio seria resultado de despesas excessivas com comissionados, prestadores de serviços e os famosos “codificados”, que teriam custado em torno de R$ 600 milhões em 2015.

O deputado Ricardo Barbosa, líder da maioria na Assembleia, defende o governo e destaca que Coutinho “salvou” 2015, pois pagou em dia e bancou praticamente sozinho as obras que estão sendo executadas em parceria com o governo federal, embora tenha sido obrigado a desacelerar algumas, e citou como exemplo o canal Acauã- Araçagi.

Com a economia desacelerada e as pressões próprias de ano eleitoral, 2016 vai testar a real campacidade dos gestores.

TORPEDO

Deixei empréstimos com CAF e BNDES que somavam R$ 1 bilhão para estradas. Os projetos foram do meu governo, contratados no meu governo, com recursos do meu governo. Um governo que agiu dessa forma não poderia receber ofensivos comentários.

De José Maranhão (PMDB), afirmando que não só deixou as finanças do Estado equilibradas, mas dinheiro em caixa, projetos e obras garantidas.

Portas abertas

Entrevistado no Correio Debate, o senador José Maranhão confirmou que o PMDB terá candidato próprio a prefeito de João Pessoa, o deputado Manoel Júnior, e não fechou portas para alianças com nenhum partido.

Sobre o PSB

Maranhão disse que para muitos a aliança natural seria com o PSB, por conta do apoio dado a Ricardo em 2014. Como os dois partidos têm candidatos, não descarta que a união ocorra num eventual segundo turno.

Com o PSDB

“Potencialmente, é possível”, admite Maranhão. Ele explica que, “em tese, o PMDB pode compor com qualquer partido”, embora o mais lógico e conveniente seja compor com os partidos da base do projeto nacional.

Convenção

Maranhão confirmou para fevereiro a visita à Paraíba do vice-presidente da República Michel Temer, em campanha pela reeleição à presidência nacional do PMDB, que fará convenção e decidirá seus rumos em março.

ZIGUE-ZAGUE

+ O ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró disse na Lava Jato que ganhou cargo na BR Distribuidora, do ex-presidente Lula, em “gratidão” por atuar a favor do PT.

+ Cerveró contou que conseguiu quitar empréstimo de R$ 12 milhões do PT com o Scharin. Lula divulgou nota negando, mas o delator deu muitos detalhes.

Em respeito à Legislação Eleitoral, o Portal Correio não publicará os comentários dos leitores. O espaço para a interação com o público voltará a ser aberto logo que as eleições de 2018 se encerrem.

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