Nessa última semana, ficou extremamente perceptível a nova aposta do marketing do governador Ricardo Coutinho. No guia eleitoral, há um evidente esforço para aproximar o socialista das pessoas. O Ricardo “técnico”, cheio de números, estúdios, sai do estúdio para dar vez ao Ricardo de “carne e osso”.
Uma estratégia mais do que acertada. Todas as consultas qualitativas e quantitativas feitas até aqui revelam uma distância entre o candidato Ricardo Coutinho e a sua positiva avaliação de governo. É como se o eleitor paraibano até aprovasse a gestão, mas não referendasse o gestor. Um antagonismo sui generis.
A tarefa para vencer esse abismo está nas mãos dos pensadores e marqueteiros do staff ricardista e ela, como dito, já está em prática. Nos últimos programas da televisão, Ricardo aparece mais ameno, leve e humano. Abre mão do teleprompter (recurso para leituras de textos na câmera) e conversa com interlocutores invisíveis.
Em determinada gravação, ele vai de carro até a casa de uma mulher que ganhou uma moradia do governo. Surpreende a beneficiada com a visita e arranca dela uma cena de envolvimento e impacto emocional. Do ponto de vista da direção de imagens, uma clara opção em despertar o sentido da sensibilidade dos expectadores.
Noutra tomada, o governador dirige pelas estradas que construiu e conversa como se o telespectador estivesse no banco do carona. Em outra aparição, o candidato entra num alojamento de trabalhadores de obras do governo e ouve, conversa e troca idéias com os operários.
As cenas das atividades de campanha passaram a explorar o sobe som com falas e depoimentos das pessoas. O socialista sorri mais, abraça mais e interage mais com as ruas. O foco nessa fase parece nítido: apresentar um Ricardo sensível, aberto, flexível e humanizado. Uma antítese da imagem que marcou seu governo.