Meu colega Wellington Farias alertava, ontem, que as pesquisas de junho já não servem para orientar análises em julho, porque as definições de alianças resultaram em mudanças substanciais: Veneziano Vital do Rêgo deixou de ser candidato e o PMDB indicou Vital do Rêgo para governador; José Maranhão que iria disputar vaga na Câmara Federal aceitou concorrer ao Senado; a aliança do PT que era com o PMDB agora é com PSB, e Ricardo Coutinho perdeu Rômulo Gouveia e assumiu Lucélio Cartaxo como candidato a senador.
Sendo analista independente e criterioso, Wellington Farias advertia para os efeitos da aliança PSB-PT, da disputa judicial com o PT nacional que tem como beneficiário o PMDB, da mudança radical de posicionamento e tom dos discursos de alguns políticos, que ainda não foram estudados e dimensionados, e que podem alterar intenções de votos dos eleitores e o favoritismo nas próximas pesquisas.
Concordo e vou adicionar outros elementos com menor ou maior potencial: o primeiro é o discurso baseado em valores como honra e honestidade do candidato do PROS, o deputado Major Fábio, que pode atrair os decepcionados com as práticas que dominam a política. O apoio de Cássio, que sempre faz campanha casada e já provou em outras eleições que transfere votos, pode fortalecer Wilson Santiago na disputa para o Senado; e o fator renovação, identificado nas pesquisas nacionais, pode favorecer o estreante Lucélio Cartaxo (PT).
Embora tenha entrado na disputa para salvar o PMDB, o senador Vital do Rêgo não deve ser subestimado. Entrou na política em 1988 como vereador de Campina, em 1994 conseguiu o primeiro de três mandatos consecutivos na Assembleia, em 2006 foi o mais votado para a Câmara dos Deputados, quatro anos depois chegou ao Senado, onde em apenas três anos passou a integrar a cúpula do seu partido e é considerado um dos nomes mais influentes do Congresso.Seu maior desafio será fazer o partido acreditar que tem chances e conseguir reunir as bases que hoje estão tentando se salvar com Cássio ou Ricardo Coutinho.
As próximas pesquisas vão dizer como os eleitores receberam essas mudanças e como elas impactaram suas preferências.