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Impeachment: com ou sem recesso?

Posto o pedido de impeachment para andar, agora a discussão na Câmara Federal passa para a segunda fase: hoje, logo mais às 18hs, em sessão extraordinária, o plenário faz a indicação dos membros que vão compor comissão especial que irá proferir parecer sobre o pedido de afastamento da presidente. Em até 48hs essa comissão deverá escolher o presidente e o relator do processo de impeachment.

Em seguida, aí sim, virá a discussão maior: o prazo processual dos trabalhos dessa comissão. Como ela deverá consumir cerca de 30 dias e os trabalhos do parlamento se encerram oficialmente em 20 de dezembro, não haverá tempo suficiente para uma atividade corrida sem interrupção.

Os governistas querem trabalhar no recesso e aproveitar a distração das férias. Já a oposição quer ganhar tempo para mobilizar a população nas ruas. O pêndulo da decisão será a votação da LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias que precisa, em tese, ser votada antes do recesso. Apesar da regra, já houve exceção nesse sentido e é esse caminho que o presidente da Câmara Eduardo Cunha quer seguir, pedindo parecer técnico sobre a manutenção do recesso.

Ele, mais do que ninguém, precisa de tempo em sua estratégia de defesa no Conselho de Ética e se não houver recesso, por conta e força da necessidade de se votar a LDO, todos os trabalhos na Câmara também serão prorrogados, inclusive os das comissões. Assim, o mesmíssimo prazo utilizado para analisar o afastamento da presidente Dilma, será usado para analisar o seu próprio. Como Eduardo Cunha tem ‘pressa zero’, a questão deverá ser, mais uma vez, judicializada no STF.

Em tempos de lava jato, em que se investiga tudo sobre todos, em nome da transparência, com ou sem recesso, que esse processo de impeachment venha para passar o país a limpo, fazendo com que a presidente ou prove sua inocência e se afaste de todos os ‘mal feitos’ – e, se for o caso, até do PT, como já sugeriu o governador Ricardo Coutinho – ou, dê licença para um novo Governo porque o Brasil não pode parar.

Av. Paulista

O senador Raimundo Lyra em entrevista exclusiva para a RCTV/TV CORREIO no cafezinho do Senado, lembra que “o processo de impeachment só ganhará ‘corpo’ mesmo se a avenida paulista quiser”, se referindo ao sistema financeiro nacional. Pelos humores do mercado, com a bolsa subindo e o dólar caindo…

Vida própria

Na opinião do senador Cássio Cunha Lima o deputado Eduardo Cunha não deverá protagonizar o andamento do processo de impeachment da presidente Dilma. “Agora o pedido ganha vida e curso próprios”. Cunha deverá se manter ocupado com sua defesa no conselho de ética a partir de amanha. O jogo deve ser duro…

Decano

Já na visão do veterano parlamentar José Maranhão, decano do senado Federal, a discussão do impeachment tende a ser maturada com o tempo, ouvindo diversos setores da sociedade civil organizada, fora do Congresso Nacional. “Não serão essas discussões daqui (Câmara e Senado) que vão decidir alguma coisa”.

Sai prá lá

Seria inocência de governistas achar que o vice Michel Temer – herdeiro do trono – se mobilizaria para ajudar contra o impeachment. Basta lembrar que há semanas ele – aí sim – se dedica a criar tese jurídica junto ao TSE, de que as contas de campanha presidencial de 2014 sejam apreciadas separadamente. Enxerga longe…

Na Comissão

Em nome da lisura e transparência do processo de impeachment, fica difícil imaginar que algum parlamentar do PT (interesse da Dilma) ou do PMDB (interesse de Michel Temer), muito menos da oposição, fique com a presidência ou relatoria da comissão especial a ser criada hoje. Logo, o abacaxi deverá ficar com partidos na linha do PTB ou PSD…

Frase

“O país não sai da crise com Dilma e Cunha no poder” – deputado Jarbas Vasconcelos, PMDB – PE.

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