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Indigna?

Hoje o convido a espiar, com atenção, as fotos editadas abaixo da coluna. Sua sequência forma um conjunto de imagens que valem, de fato, por mil palavras.

Mas vou me arriscar a pecar pelo excesso.

Não faz mal ser prolixo quando a indignação é sufocante. E é preciso qualificar e dimensionar a extensão do descaso que se materializa em vias deploráveis, destruídas e destruidoras – tão temerosas que já nos engolem, nos tragam para um fosso escavado pela irresponsabilidade pública.

Uma irresponsabilidade que não se comove com os danos que provoca.

Muito menos com a dilapidação do patrimônio alheio. E nem mesmo com as mortes que coleciona.

Irresponsabilidade que não escuta, tampouco, os clamores dos cidadãos. Eu mesmo já fiz diversos deles – seja aqui, na coluna; seja na tribuna do Senado Federal, quando lá estive.

Em uma dessas iniciativas, tentei inspirar nossos parlamentares municipais e estaduais no sentido de compor projeto de lei que previsse os procedimentos de reparações das intervenções feitas na malha viária, evitando que as vias continuem exibindo essa verdadeira “colcha de retalhos asfáltica”.

Nesse projeto também estaria prevista a necessidade de solicitação de autorização prévia para qualquer tipo de intervenção, responsabilizando antecipadamente seus autores pela correta restauração sob pena de arcar com multas pesadas.

Mas nossos parlamentares não são tão facilmente inspiráveis.

A maioria deles guarda seu estoque de inspiração e atenção para uma seara singular: o voto.

E como estamos no momento de usá-lo, convém lembrar que é com este instrumento que, enfim, poderemos mudar esse quilométrico enredo.

Se este buraco estivesse numa rua dos Estados Unidos, Japão ou Alemanha, a vítima se tornaria uma pessoa rica.

O infortúnio renderia indenizações milionárias para reparar os danos morais, patrimoniais e os riscos de morte.

Aqui não rendeu sequer um pedido de desculpas.

Não dá mais para nos indignar silenciosamente, recolher as carcaças do nosso orgulho ferido e aceitar passivamente a previsível queda que nos aguarda no próximo buraco.

Até porque não temos instrumentos públicos para nos içar. Ninguém vai nos resgatar dessa vergonhosa omissão. Nem responsabilizar e punir seus agentes.

As feridas do nosso asfalto estão longe da cicatrização.

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