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Índio Jaider Esbell abre exposição interativa nesta quinta, em JP

A força da floresta, as dores, as cores e, sobretudo, o alerta sobre o desmatamento da floresta Amazônia são aspectos que podem ser vistos na exposição “It Was Amazon”, que está sendo aberta nesta quinta-feira (6), 16h, no primeiro pavimento da Torre Mirante da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, no Altiplano.

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A exposição itinerante fica em cartaz até o dia 29 de outubro e depois segue para Recife (PE) e outros Estados. O horário de visitação é de terça à sexta-feira de 9h às 18h. Sábado, domingo e feriado das 10h às 19h. A entrada é aberta ao público de todas as idades.

“It Was Amazon”, que traduzido significa “Era uma vez Amazônia”, surgiu com o objetivo de criar e ocupar espaços, realizar vivências e interação da cultura indígena com a arte contemporânea. É produzida e montada pelo índio makuxi de Roraima, Jaider Esbell, que faz uma provocação ao público ao apresentar linguagens, saberes e ao fazer um diálogo com sua identidade e a dos outros pelo mundo a fora.

O artista plástico Jaider Esbell apresenta 16 obras inspiradas nos horrores que acontecem na Pan-Amazônica, como o desmatamento, o alcoolismo, a morte dos rios, dos animais, a venda clandestina de madeira e aspectos do cotidiano do sujeito comum.

Os desenhos são preto, branco e colorido, utilizando como instrumento uma caneta japonesa sobre um papel preto. “A intenção é fazer com que as pessoas olhem com outros olhos sobre a Amazônia e sobre os índios no Brasil”, comentou Esbell.

As obras revelam em preto e branco o impacto que deve causar em nós os usos e abusos da natureza, na natureza e na condição humana como parte integral da paisagem do lugar. A exploração da pessoa, o alto impacto na vida selvagem, os contrabandos e desmandos que tornam a maior floresta tropical do mundo um palco nada desejável.

É a primeira vez que o artista indígena apresenta uma coleção tão impactante e necessária. A ocasião não é menos importante. Olhar com outros olhares as realidades da qual fazemos parte é uma das propostas do movimento que reforça todos os esforços de incluir na grande pauta demandas urgentes para os povos nativos, seu habitat e o grande mundo como uno ambiente coletivo.

O expositor

Jaider Esbell é escritor, produtor cultural natural da etnia Makuxi. Nasceu em Normandia, Estado de Roraima, e viveu, até aos 18 anos, onde hoje é a Terra Indígena Raposa – Serra do Sol (TI Raposa – Serra do Sol). Antes de ser artista, habilidade descoberta na infância, Esbell percorreu vários caminhos. Deixou a casa dos pais e chegou na capital Boa Vista com o ensino médio concluído. Como todo adolescente indígena, fez contatos com vilas, cidades e aldeias.

Esbell sempre se encheu de misturas e, com habilidades aprimoradas na escola e vivências plurais no grande palco da vida roraimense, articulou-se, e, na capital, logo estava trabalhando como auxiliar técnico numa estatal. Trabalhou para sobreviver na capital por 8 meses. Em seguida, Esbell fez concurso público para uma vaga de eletricista de linha de transmissão. Trabalhava o dia todo e estudava à noite por conta própria na biblioteca pública. Aprovado em concurso federal, Esbell parte em viagem para fora do estado. A profissão ainda não estava conquistada, precisaria de treinamento rigoroso para altas habilidades. Aprovado em todos os testes, é efetivado aos 19 anos como eletricista de linha de transmissão. Nessa função permanece até 2013. Como empregado da Eletrobrás, desenvolve diversas atividades além de suas funções. Realiza ações de educação ambiental, atividades socioculturais, participa em pesquisas e faz contatos bilaterais empresa/comunidades indígenas. Na Eletrobrás alcança o topo da carreira para sua função, recebe diversos prêmios e faz estória positiva em toda a rede da estatal.

Esbell, enquanto trabalha, faz vestibular numa época em que não havia cotas para indígenas, é aprovado e conclui o Curso de Geografia em 2007. Ao longo de sua vida, Esbell sempre escreveu e desenhou, sempre acreditou e trabalhou para criar condições ideais para manifestar suas habilidades de artista. Em 2010 se inscreve em um edital de literatura, Bolsa Funarte de Criação Literária (Programa do Ministério da Cultura) para apoiar financeiramente novos escritores. Esbell leva para Roraima uma das bolsas e lança no ano de 2012 o seu primeiro livro, Terreiro de Makunaima – Mitos , lendas e estórias em vivências.

No ano seguinte, começa a pintar e, desde então, são várias exposições coletivas, viagens, inclusive para a Europa, faz itinerâncias, escreve outros livros, artigos, produz rico material artístico e distribui nas mais variadas mídias. Em 2013 é convidado para expor e dar aulas nos Estados Unidos, (Pitzer College). Vai, desliga-se provisoriamente da Eletrobrás. Permanece, por lá, 8 meses. Antes de ir ao exterior Esbell articula o Encontro de Todos os Povos e participa da Exposição Coletiva e Latinoameríndia MIRA – Artes Visuais Contemporâneas dos Povos Indígenas, UFMG 2013.

O artista colabora com obras e testemunhos de vivências coletivas com a arte indígena contemporânea realizadas em Roraima, fruto de articulação entre artistas, artesãos, lideranças, comunidades e a sociedade em geral em torno do tema. O resultado é o aquecimento da cena cultural local e, como demanda, abre seu ateliê, que denomina Galeria de Arte Indígena Contemporânea, com abertura para a coletividade e a prestação de serviços culturais, sem ser empresa ou ONG, incluindo no portfólio formação de alunos, oferecendo estágio a estudantes de artes visuais da UFRR. Destaca-se o trabalho de articulação e fazeres coletivos comunitários desenvolvidos com o povo Xirixana, habitantes da Reserva Indígena Yanomami, região de floresta amazônica bem como diversas atividades com os povos indígenas do lavrado e das montanhas.

Em 2016, recebeu indicação ao Prêmio “Pipa”, o maior prêmio da arte contemporânea Brasileira. Estaria assim de fato e de direito falando a língua universal, a linguagem das artes. Sendo a arte o próprio objeto de vida, o artista desvincula-se de vez da Eletrobrás e embarca nesta jornada que ele mesmo denomina “Itinerância Roraima – Arte e Vida, Uma jornada ao Brasil de casa em casa”.

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