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Jogo de interesses

Depois do “Mensalão” e do “Lava-Jato”, não tem quem não proclame a necessidade de reforma no sistema eleitoral brasileiro. A unanimidade termina aí. Cada partido e seus políticos defendem regras que lhes favoreçam. Quem tem conseguido se eleger com seus próprios votos, defende o sistema majoritário. Quem foi eleito graças aos votos da legenda ou coligação, não aceita o fim do voto proporcional. E a votação na Câmara não encerra o debate, que continuará no Senado e ainda poderá retornar para revisão dos deputados.

A reforma é polêmica. Todos tem muitos argumentos para defender ou atacar cada ponto proposto. Não fosse a firme disposição do presidente Eduardo Cunha, talvez os debates continuassem por um bom tempo, em busca de consenso. E por ter agido como rolo compressor, virou alvo dos que acham a proposta um remendo sem sentido.

O deputado Anísio Maia (PT), por exemplo, não poupou o peemedebista, a quem considera autoritário, que rotulou de “o senhor dos negócios” e a quem acusa de atropelar a Comissão Especial, que não conseguiu votar o parecer do relator Marcelo Castro (PMDB-PI), já que avocou todas as propostas da reforma para decisão do plenário, a fim de cumprir o calendário de votação que anunciou.

Desabafo de Anísio Maia: “Eduardo Cunha defende o distritão porque beneficia candidatos com mais estrutura e recursos financeiros. Também defende o financiamento privado de campanha porque morre de medo que a sociedade barre. Se a reforma política barrar esse financiamento, gente como Eduardo Cunha jamais será eleita, porque candidatos passarão a ser eleitos pela força de suas propostas e não pela força do dinheiro, como é o caso de Cunha”.

O deputado Wilson Filho (PTB) entende que a reforma é essencial:“O sistema atual permitiu o maior escândalo de corrupção do mundo. Então, nós temos que mudar o sistema para dar uma resposta a essa situação. Precisamos mudar a imagem do Brasil perante o mundo. Por isso, nós estamos muito focados em votar a reforma política, mas não qualquer reforma, e sim uma reforma que possa transformar nosso sistema”.

Cunha tem dito que espera oferecer novas regras já para a eleição do próximo ano, mas o ritmo do Senado é que vai dizer se dará tempo.

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