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JP tem boas chuvas, mas perde 13% de água em um ano e já teve racionamento

O Dia Mundial da Água, comemorado nesta terça-feira (22), pode servir como um alerta para a população da Grande João Pessoa, já que em um período de um ano os dois principais mananciais que abastecem a região, que são Gramame e Marés, registraram queda média de 13% no volume de água entre 2014 e 2015. Pode parecer incrível para os jovens da nova geração, mas a Capital conhecida por chuvas fortes e alagamentos já sofreu com racionamento no fim dos anos 90. Veja fotos abaixo.

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Segundo dados da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), o manancial de Gramame tem 43,9 milhões de metros cúbicos (m³) armazenados, estando com 77,1% da capacidade, e Marés tem 1,5 milhão de m³ armazenados, ou 70,5% da capacidade.

Em números, a situação pode não parecer preocupante, mas em comparação com anos de 2014 e 2015 o consumo vem aumentando e o armazenamento dos mananciais diminuindo.

Em 2014 Gramame estava com 93,4% do armazenamento total. Em 2015, o manancial passou para 84,3%. Com isso, nesses anos foram perdidos 16,3% de armazenamento.

Em Marés a situação não é diferente. Em 2014 o manancial tinha 80,4% e em 2015 passou para os 93,3%. Entre perdas e ganhos de armazenamento, nesses anos Marés teve seu volume diminuído em cerca de 10%.

A situação de perda de armazenamento é confirmada pelo consumo de água registrado mensalmente na Grande João Pessoa. De acordo com a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), os moradores da região consomem 4,2 milhões de m³ por mês.

População deve economizar

Mesmo sem enfrentar racionamento desde 1999, alguns moradores de João Pessoa lembram daquela época e permanecem com atividades que buscam economizar água. Uma dessas pessoas é a dona de casa aposentada Maria das Graças, moradora do Alto do Mateus. Segundo ela, no bairro, a falta de água não acontece cotidianamente, mas o acúmulo em reservatórios é essencial.

“Algumas vezes somos surpreendidos com falta de água sem nenhum aviso. Então eu costumo guardar água em baldes fechados e em caixa d’água. Mesmo tendo água eu costumo não desperdiçar e tento sempre economizar ou reutilizar”, contou a moradora.

A reutilização da água também faz parte das tarefas de vendedora Patrícia Karolyna, que mora em Santa Rita. Nas tarefas de casa, Patrícia busca reutilizar água da máquina de lavar para lavagem da casa, do banheiro e do quintal.

“Sempre que dá nós juntamos a água da máquina para lavar o quintal, o espaço do cachorro, passar pano na casa e lavar o banheiro. Como a água já contém o sabão, também economizamos na compra do produto. Também evitamos uso de mangueiras para lavar moto ou carro. Tudo isso acaba diminuindo a conta e contribuindo para o meio ambiente”, disse Patrícia.

Obras devem melhorar abastecimento

Segundo a Cagepa, cinco obras, que totalizam investimento de R$ 192,2 milhões, são executadas pelo Estado para tentar melhorar o abastecimento na região metropolitana da Capital. 

Uma delas é a ampliação do sistema de abastecimento de água da Grande João Pessoa, a Translitorânea, que está na segunda etapa e vai garantir reforço de água para João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Conde, Alhandra e Santa Rita, beneficiando 1,5 milhão de pessoas.

Outra obra é a melhoria no abastecimento através de subadutoras em toda a Grande João Pessoa. A obra, segundo a Cagepa, custa R$ 26 milhões e está com 27,33% de execução.

As subadutoras devem melhorar o abastecimento para moradores dos bairros do Centro, Jaguaribe, Tambiá, Cordão Encarnado, Róger, Varadouro, Padre Zé, Alto do Céu, Porto de João Tota, Salinas Ribamar, Vem-vem, Ilha do Bispo, Baixo Róger, Treze de Maio, Torre, Expedicionários, Tambauzinho, Cristo, Rangel, Jarim Itabaiana, Homero Leal, Boa Esperança e Vale das Palmeiras, na Capital.

Desperdício deve ser evitado

De acordo com a Cagepa, os vazamentos são os principais responsáveis pelo aumento da conta de água e pelo desperdício. O órgão listou alguns cuidados que devem ser tomados para que os pessoenses possam contribuir com a economia e com o meio ambiente.

*Use o balde ao invés da mangueira para lavar o carro ou calçada;

*Seja rápido no banho. Desligue o chuveiro enquanto estiver se ensaboando. Um banho de 15 minutos consome, em média, 225 litros de água;

*Deixe a torneira fechada enquanto estiver escovando os dentes ou fazendo a barba;

*Use a máquina de lavar sempre com a capacidade máxima de roupa;

*Ensaboe a louça toda de uma vez para depois enxaguá-la;

*Verifique se há vazamentos em canos, válvulas ou se há torneiras gotejando;

*Não faça da água um passatempo para as crianças.

Para registrar informações sobre problemas na rede ou vazamentos, os consumidores podem ligar para o telefone gratuito da Cagepa, 115.

Por que João Pessoa tem boas chuvas?

Segundo a Aesa, a região do litoral paraibano tem registrado chuvas consideradas como dentro da média para o período de janeiro a março. A previsão é de que a partir de abril até o mês de agosto a incidência delas aumente.

“O sistema gerador de chuvas para o Litoral é a umidade que vem do oceano e a formação de nuvens do leste. Como o período chuvoso fica entre abril e julho, é nesse tempo que devemos registrar chuvas mais intensas na região”, disse Marle Bandeira, meteorologista da Aesa, explicando que estar no Litoral ajuda a Capital a ter mais chuvas que as demais áreas do estado.

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