Enquanto o deputado Eduardo Cunha (RJ) gastava saliva ontem em João Pessoa, rodeado de colegas da bancada paraibana, pedindo votos para a eleição da Presidência da Câmara Federal, o médico Ewerton Holanda era baleado por assaltantes dentro da própria clínica, no centro de João Pessoa.
Enquanto Arlindo Chinaglia, candidato petista ao mesmo posto, tranquilamente tomava café da manhã, anteontem, com três potenciais eleitores do seu projeto de voltar ao comando do Congresso Nacional, dois morriam em bairros periféricos da capital paraibana. Um no Gervásio Maia e outro no Valentina Figueiredo.
Com Cunha e Chinaglia por estas bandas ou não, essa é a realidade diária de João Pessoa. Homicídios e assaltos cruzam cotidianamente a rotina do cidadão, mas essa cruel situação parece não sensibilizar muito. E pior: anda passando longe do centro do debate dos nossos principais agentes públicos.
Eduardo e Arlindo pleiteiam o mais importante cargo da hierarquia nacional depois da presidente Dilma Roussef e do vice Michel Temer. Nas aparições e périplos, estão mais focados em angariar votos pelos conchavos e costuras tradicionais. Pouco ou nada se propõe ou se debate das prioridades de um Brasil em guerra civil.
O inverso também é verdade. Os deputados, alvo do assédio pelo voto, também não cobram e nem levam em consideração os grandes temas do País na hora de escolher o futuro ocupante do terceiro cargo da linha sucessória. Salvo as raras exceções, estão mais preocupados na negociação de espaços de poder, a partir de seus gabinetes.
É angustiante saber que a segurança pública, de longe a maior agrura dos tempos atuais da população brasileira, não tem merecido a atenção e esforços do tamanho proporcional ao grave e endêmico problema. Mesmo quando nossos próprios representantes viram vítimas, como ocorreu essa semana com os deputados Domiciano Cabral e Tião Gomes.