Maestro João Carlos Martins
Concerto foi no Parque da Lagoa (Foto: Divulgação)

Maestro João Carlos Martins emociona público em JP

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Encantamento e emoção foram os sentimentos externados por dezenas de pessoas que compuseram o cenário do encerramento do Festival de Música Clássica, no Parque da Lagoa, em João Pessoa. Os olhos atentos e a ansiedade estampada no rosto era a demonstração de que todos ali estavam prontos para ver um dos maiores maestros do mundo se apresentar. E quando o maestro João Carlos Martins subiu ao palco, o que era abstrato se concretizou nos aplausos de um público que o recepcionou de pé.

Em cada nota soada pelas cordas dos violinos e violoncelos, na união das flautas e clarinetes, e nos metais dos trompetes e trombones a batida de cada coração. Um espetáculo, que de tão grandioso, fez um público acostumado a tirar os smartphones dos bolsos para registrar a imagem de artistas famosos, se esquecer que o equipamento móvel existe e preferir deixar marcado na alma a apresentação impecável de João Carlos Martins e da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa.

No repertório Beethoven e Bach deram as boas-vindas, e não ficaram sozinhos. Vieram acompanhados de suas histórias muito bem contadas pelo maestro e pianista. João Carlos lembrou a surdez de Beethoven e o momento em que ele pensou em desistir da própria vida. “Mas ele sabia que era um grande artista e que tinha uma obra importante para deixar”, constatou o maestro João Carlos Martins.

Em meio as histórias, João Carlos lembrou a própria e até fez piada com ela. “Depois de 23 cirurgias eu ouvi de vários médicos que nunca mais voltaria a tocar. Fui para médicos no exterior e todos diziam a mesma coisa. Aí para a igreja, e nada. Apelei para um Pai de Santo. Ele fez lá as rezas dele e me perguntou qual era a mão doente. Eu respondi que era a direita. Ele disse que a direita era mais fácil. Depois de tudo me falou: não se preocupe meu filho, daqui a um ano sua mão vai estar igualzinha a outra. Um ano depois a esquerda também estava perdida”, contou arrancando risos do público.

Ápice do concerto

Depois de Beethoven e Bach, João Carlos Martins levou o público ao delírio com Yesterday, dos Beatlhes, e Love of my life, do Queen. E quando todos achavam que o grande show tinha acabado, ele virou de costas para a orquestra e passou a reger o público, que o acompanhou e cantou em alto e bom som Trem das Onze, do Demônios da Garoa.

Naquele momento, quem nunca entendeu como os componentes de uma orquestra conseguem entender o que o seu maestro os diz, sentiu no coração e na alma o que é se deixar conduzir pelas mãos incansáveis de quem teve tudo para desistir, mas decidiu seguir em frente.

Agradecimento

O maestro João Carlos Martins também agradeceu ao maestro Laércio Diniz e revelou uma história pouco conhecida do momento em que ele decidiu se reinventar. “Aos 64 anos, quando eu decidi que iria ser regente, liguei para o maestro Laércio e pedi que ele selecionasse um grupo de músicas para que eu pudesse aprender. Eu não tinha mais tempo para cursos. E assim ele fez”, relatou.

Ao fim de tudo, todos de pé, artistas e público, trocaram nas palmas das mãos palavras silenciosas de agradecimento mútuo.

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